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Esclerose múltipla: sintomas podem desaparecer e dificultar diagnóstico precoce

Esclerose múltipla: sintomas podem desaparecer e dificultar diagnóstico precoce
Doença autoimune afeta o sistema nervoso central e é mais frequentemente diagnosticada em mulheres entre 20 e 40 anos*. Foto: Magnific

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune, inflamatória e crônica que afeta o sistema nervoso central, formado pelo cérebro, pela medula espinhal e pelo nervo óptico. Embora possa surgir em qualquer idade, a doença é mais frequentemente diagnosticada em mulheres jovens, principalmente entre 20 e 40 anos.

De acordo com a neurologista Dra. Lis Campos Ferreira, a esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio sistema nervoso, especialmente a mielina, uma espécie de revestimento dos neurônios que auxilia na condução rápida dos impulsos nervosos.

“Esse processo pode provocar inflamação e lesões em diferentes regiões do sistema nervoso”, explica a especialista.

Sintomas variados exigem atenção

Esclerose múltipla: sintomas podem desaparecer e dificultar diagnóstico precoce
Dra. Lis Campos Ferreira, neurologista

A manifestação da esclerose múltipla pode variar de uma pessoa para outra. Entre os sintomas mais frequentes estão alterações visuais, como perda ou turvação da visão e visão dupla; formigamento ou perda da sensibilidade; fraqueza e dificuldade para movimentar braços ou pernas; desequilíbrio; incoordenação motora; tontura; dificuldade para caminhar e fadiga. Também podem ocorrer alterações urinárias, sexuais, cognitivas e do humor.

A médica alerta, no entanto, que a presença de um desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha esclerose múltipla. Um dos principais sinais de alerta é o surgimento de um sintoma neurológico novo e persistente, especialmente em adultos jovens, sem uma explicação evidente.

“Nesses casos, a avaliação por um neurologista é fundamental para identificar a causa”, orienta.

Sintomas que desaparecem podem atrasar diagnóstico

Uma das características da forma mais comum da doença, a esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR), é justamente o aparecimento de sintomas que podem desaparecer parcial ou completamente. Os chamados surtos clínicos são caracterizados pelo surgimento de novos sintomas neurológicos que duram mais de 24 horas. Eles podem ser seguidos de uma recuperação parcial ou completa ao longo de dias ou semanas. Depois disso, o paciente pode permanecer meses ou até anos sem novas manifestações.

Esse comportamento pode fazer com que a pessoa não dê a devida importância ao episódio ou atribua os sintomas ao estresse, por exemplo. “Uma pessoa que teve um episódio de formigamento ou uma alteração visual que melhorou completamente após alguns dias pode nem chegar a procurar atendimento”, explica a neurologista.

A demora também ocorre porque sintomas como formigamento, tontura, fadiga, alterações visuais e dificuldades de equilíbrio podem estar relacionados a diversas outras condições. Por isso, o diagnóstico exige uma investigação cuidadosa.

Diagnóstico depende de avaliação médica e exames

Esclerose múltipla: sintomas podem desaparecer e dificultar diagnóstico precoce
Alterações visuais, formigamento, fraqueza e desequilíbrio estão entre os principais sinais. Foto: Magnific

Não existe um único exame capaz de confirmar ou descartar, isoladamente, a esclerose múltipla. O processo começa com uma história clínica detalhada e um exame físico neurológico. Na investigação, a ressonância magnética do cérebro e da medula espinhal tem papel importante. Em determinadas situações, também pode ser necessária a análise do líquido cefalorraquidiano, conhecido como líquor.

Dependendo do caso, o neurologista pode solicitar exames oftalmológicos e testes laboratoriais para investigar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes. Para Dra. Lis, a rapidez na investigação é fundamental. “Quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápido o tratamento, e maior a chance do paciente viver bem, com qualidade de vida”, destaca.

Esclerose múltipla pode ocorrer em qualquer idade

Embora seja mais comum em mulheres jovens, principalmente entre 20 e 40 anos, a esclerose múltipla pode surgir em diferentes fases da vida, incluindo na infância, adolescência e terceira idade. A idade, portanto, não deve ser utilizada isoladamente para descartar a possibilidade da doença. Diante de sintomas neurológicos novos e persistentes, a avaliação especializada é importante independentemente da faixa etária.

Informação ajuda no diagnóstico precoce

Por apresentar sintomas variados e, em alguns casos, transitórios, a esclerose múltipla pode passar despercebida durante algum tempo. Por isso, conhecer os sinais de alerta e procurar avaliação médica diante de alterações neurológicas persistentes são medidas importantes. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais rapidamente e pode contribuir para o controle da atividade da doença e para a preservação da qualidade de vida do paciente.is Campos Ferreira, Neurologista

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