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Esclerose múltipla: avanços no tratamento ampliam perspectivas e qualidade de vida dos pacientes

Esclerose múltipla: avanços no tratamento ampliam perspectivas e qualidade de vida dos pacientes
Embora ainda não tenha cura, doença pode ser controlada com tratamentos cada vez mais eficazes

Receber o diagnóstico de esclerose múltipla (EM) ainda pode despertar medo e insegurança, principalmente pela associação da doença à incapacidade e à perda de autonomia. No entanto, os avanços da neurologia nos últimos anos mudaram significativamente esse cenário. Embora a doença ainda não tenha cura, atualmente existem diferentes tratamentos capazes de controlar a atividade da esclerose múltipla e reduzir o risco de novos surtos, lesões no sistema nervoso e acúmulo de incapacidades.

Segundo a neurologista Dra. Raphaella Moura Cardoso, a evolução das terapias trouxe novas perspectivas para quem convive com a doença. “O tratamento da EM avançou muito nos últimos anos. Apesar disso, ainda não conseguimos falar sobre terapias curativas, assim como tantas outras doenças autoimunes que existem”, explica.

Atualmente, existe um amplo arsenal terapêutico disponível, com medicamentos administrados por comprimidos, injeções que podem ser aplicadas pelo próprio paciente e medicamentos administrados por via intravenosa. A escolha do tratamento é individualizada e leva em consideração as características da doença, além do perfil e das preferências do paciente.

Controle da doença

As terapias disponíveis apresentam alta eficácia no controle da inflamação provocada pela esclerose múltipla. Na maioria dos casos, o objetivo é reduzir a ocorrência de novas recidivas, novas lesões no sistema nervoso e o risco de incapacidade. Apesar dos avanços, a médica ressalta que ainda não é possível garantir que a fase progressiva da doença será completamente impedida. Além disso, alguns pacientes relatam melhora de determinados sintomas decorrentes de surtos anteriores após o início do tratamento.

Diagnóstico não significa abandonar projetos de vida

A esclerose múltipla pode afetar diferentes áreas da vida do paciente, principalmente quando um surto deixa sequelas. Dependendo do sintoma e do grau de recuperação, a doença pode interferir diretamente na atividade profissional.

A neurologista cita exemplos de situações em que uma sequela pode comprometer a profissão. Uma instrumentista que perde a força em um dos braços ou um artista plástico que sofre perda visual e não recupera a visão podem enfrentar mudanças importantes em suas atividades.

As consequências, porém, não ficam restritas ao ambiente de trabalho. As limitações podem provocar impactos na vida social e levar algumas pessoas a reduzir a interação com amigos e outros grupos. Nesse contexto, a rede de apoio familiar tem papel fundamental, inclusive durante o processo de reabilitação.

Esclerose múltipla: avanços no tratamento ampliam perspectivas e qualidade de vida dos pacientes
Neurologista destaca que diagnóstico da doença não significa abrir mão de projetos pessoais, profissionais e familiares

Apesar dos desafios, pessoas com esclerose múltipla podem trabalhar, estudar, praticar exercícios físicos, constituir família e realizar seus projetos pessoais. “Podem e devem! É importante entender que a doença não define aquela pessoa”, afirma Dra. Raphaella.

A prática de exercícios físicos, inclusive, é recomendada e pode contribuir para o controle de alguns sintomas, como a fadiga. A gestação também não é, por si só, uma contraindicação para mulheres com esclerose múltipla. Entretanto, o planejamento deve ser feito em conjunto com o médico que acompanha a paciente.

O desejo de engravidar deve ser comunicado desde as primeiras consultas, permitindo que a equipe médica avalie o momento mais adequado, as terapias utilizadas e seus possíveis impactos sobre a gestação, além de planejar eventual interrupção e posterior retomada do tratamento.

Esclerose múltipla: avanços no tratamento ampliam perspectivas e qualidade de vida dos pacientes
Pacientes podem trabalhar, praticar exercícios, constituir família e manter seus projetos de vida. Foto: Magnific

Informação ainda é um desafio

Mesmo com os avanços no diagnóstico e no tratamento, a falta de informação continua sendo um obstáculo. Segundo a neurologista, ainda há pacientes que relatam ouvir de amigos e até de profissionais da saúde que nunca tiveram contato ou conhecimento sobre a doença.

Para ela, ampliar a visibilidade da esclerose múltipla é fundamental para que a população reconheça sintomas que precisam de investigação médica.

A falta de conhecimento também contribui para a manutenção de estigmas. Muitas pessoas ainda associam automaticamente a doença a uma incapacidade grave e progressiva, o que não corresponde necessariamente à realidade de quem recebe o diagnóstico atualmente.

Sintomas devem ser investigados

Para quem começa a apresentar sintomas neurológicos e teme estar diante de uma esclerose múltipla, a recomendação da especialista é não tentar fazer o diagnóstico sozinho.

Ter um sintoma neurológico não significa necessariamente ter EM, já que diversas outras condições podem provocar manifestações semelhantes. Por outro lado, sintomas novos, principalmente quando persistem ou aparecem de maneira diferente do habitual, precisam ser avaliados por um profissional.

Quanto mais cedo a doença for identificada, quando realmente se trata de esclerose múltipla, maiores são as possibilidades de iniciar o tratamento no momento adequado e reduzir o risco de novas lesões e incapacidades. “Não tenha medo de procurar ajuda e não tente fazer o diagnóstico sozinho”, orienta.

A médica reforça ainda que o diagnóstico não deve significar o abandono de planos e sonhos. O tratamento deve ser construído em conjunto com o paciente, considerando não apenas o controle da doença, mas também a vida que aquela pessoa deseja continuar vivendo.

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