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Sociedade Médica de Sergipe ‐ 88 anos de glórias

A mais antiga instituição representativa dos médicos de Sergipe completou, na sexta-feira, oitenta e oito anos de existência. Em 27 de junho de 1937, com Augusto Leite na liderança do processo, era fundada a Sociedade Médica de Sergipe. O Hospital de Cirurgia havia sido fundado onze anos antes, graças ao seu estoicismo e à firme determinação do governador à época, Graccho Cardoso.

Augusto Leite liderou a instituição por doze anos, num período negro da história da Humanidade – a Segunda Guerra Mundial – de 1939 a 1945, sendo substituído em 1949 por José Machado de Souza. O seu sucessor, o alienista Garcia Moreno assumiu a presidência em 1952. Em 1954, regressou Machado de Souza.

Fotografia histórica de médicos sergipanos reunidos
Registro histórico. Foto: Arquivo

Na década de 50 a SOMESE experimentou uma de suas fases mais áureas e de grande prestígio político. Afinal, o seu presidente, Dr. Machado, chegara à vice-governadoria do estado, então comandado pelo udenista Leandro Maciel. Machado de Souza, com o apoio decisivo de Carlos Firpo, passou o comando da SOMESE para Canuto Garcia Moreno. A partir dessa administração, formou-se um bloco forte e consistente que comandou a medicina de Sergipe por uma década, com realizações de grande importância para o seu desenvolvimento, só para citar a fundação da Faculdade de Medicina em 1961, por Antonio Garcia Filho. Além de Secretário da Educação, Saúde e Cultura, ele também comandava a Sociedade Médica de Sergipe.

Um nome pouco lembrado mas com participação importante foi Eraldo Lemos, um dos mais atuantes líderes da classe médica de Sergipe. Ele inclusive participou da Assembleia de fundação da Associação Médica Brasileira, ocorrida em 1951, em São Paulo, comandada pelos professores Jairo Ramos e Alípio Correia Neto, terminando este como primeiro presidente da AMB e Eraldo ficando como tesoureiro adjunto. Vale ressaltar que a primeira diretoria da entidade possuía apenas oito cargos.

Além da Medicina, ele se formou também em direito e exerceu funções de jornalista, escritor, poeta e político de erudita oratória. Foi deputado estadual, federal e suplente de senador por dois mandatos. Na história da Medicina de Sergipe, nas décadas de 40, 50 e 60, sempre esteve presente liderando movimentos, com ações que o deixaram em posição de vanguarda. Mesmo não chegando à presidência do órgão deixou-nos um grande legado. Outros nomes que ficaram marcados na história da Somese foram Hugo Gurgel, Juliano Simões, Alexandre Menezes, Orlando Pinto, Sônia Passos (única mulher a comandar a instituição em sua história!), José Hamilton Maciel, Fernando Barbosa, William Soares, Henrique Batista, Roberto Gurgel, Petrônio Gomes e José Aderval Aragão.

A SOMESE chega aos 88 anos com vigor! Reconhecida pelas instituições e admirada pela sociedade, retoma com força a sua vitoriosa trajetória, agora sob o comando do colega Raimundo Sotero, que tem se mostrado firme e corajoso.

Como ex-presidente da entidade por dois mandatos (1993/1995 – 1995/1997), guardo ainda hoje na memória seus momentos mais gloriosos, desde a forte mobilização da categoria por honorários justos, passando pelos cursos de atualização científica para os associados e de extensão para a comunidade, até as atividades socioculturais como o Cineclube, a Bar Bisturi e o jornal da Somese, hoje consagrado como Revista SOMESE. As atividades desenvolvidas, que não foram poucas, e as novas ações que se vislumbram, trazem de volta, em plenitude, a vida associativa na mais antiga e amada instituição médica. Bons tempos e boas jornadas que a poeira do tempo não apagará!

Lúcio Antônio Prado Dias – é membro da Academia Sergipana de Medicina e Presidente nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

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