
O Outubro Verde é uma campanha nacional de mobilização e alerta sobre a sífilis, com ênfase na sífilis congênita, e é celebrado sempre no terceiro sábado do mês de outubro. A iniciativa tem como principal objetivo orientar a população sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado da doença, que segue sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil.
De acordo com o médico Dr. Almir Santana, a sífilis é uma infecção silenciosa, que muitas vezes não apresenta sintomas, o que aumenta o risco de transmissão. “O foco é intensificar campanhas informativas, estimular a testagem rápida e a confirmação diagnóstica precoce, favorecendo o tratamento o mais rápido possível. Devemos também lembrar que o uso do preservativo nas relações sexuais é uma importante barreira para evitar as infecções sexualmente transmissíveis”, reforça o médico.
As duas principais formas de transmissão da bactéria Treponema pallidum são a relação sexual sem preservativo e a transmissão vertical, quando a mãe infectada transmite a infecção ao bebê durante a gestação. O uso correto e consistente do preservativo interno ou externo é a forma mais eficaz de prevenção, assim como o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, que também ajudam a interromper a cadeia de transmissão.
Os exames realizados durante o pré-natal, aliados ao tratamento correto da gestante e do parceiro, são fundamentais para prevenir a infecção no bebê. “O pré-natal correto é essencial para a prevenção da transmissão vertical. O tratamento deve ser iniciado até 30 dias antes do parto para garantir a proteção do bebê”, alerta Dr. Almir.

Segundo ele, os testes devem ser realizados em três momentos distintos: na primeira consulta, idealmente no primeiro trimestre; no terceiro trimestre, por volta da 28ª semana; e no parto ou em caso de aborto/natimorto.
Embora haja a possibilidade de contaminação por transfusão de sangue, o médico explica que essa forma é hoje extremamente rara devido ao rigoroso controle dos bancos de sangue. O maior risco, segundo ele, ainda está nas relações sexuais desprotegidas.
“Todas as pessoas sexualmente ativas devem fazer o teste de sífilis pelo menos uma vez por ano. A informação correta é fundamental, assim como o incentivo ao uso do preservativo e a realização de um pré-natal adequado com envolvimento do parceiro”, destaca.
Nas unidades de saúde do SUS, o teste rápido para sífilis está disponível gratuitamente. Caso o resultado seja reagente, o paciente deve realizar o exame VDRL, que confirma o diagnóstico e orienta o acompanhamento laboratorial. O tratamento é feito com o antibiótico penicilina benzatina, de alta eficácia, e deve ser estendido também à parceria sexual, para evitar novas infecções.
Dr. Almir reforça que a falta de tratamento adequado pode trazer sérias consequências. “Se a sífilis não for corretamente tratada, pode favorecer a transmissão do HIV, devido às feridas genitais que funcionam como porta de entrada para o vírus. Por isso, a testagem regular e o tratamento imediato são essenciais para quebrar o ciclo de transmissão”, conclui o especialista.
Com informação, testagem e tratamento adequados, é possível controlar e até eliminar a sífilis congênita, garantindo mais saúde e qualidade de vida para mães, bebês e toda a população.

