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Doença renal pode evoluir de forma silenciosa e só ser descoberta em exames de rotina, alerta especialista

Imagem de ultrassonografia de rim
Exames de rotina são aliados fundamentais na detecção precoce da doença renal, que muitas vezes não apresenta sintomas. Foto: Freepik

A doença renal crônica é considerada um problema de saúde que muitas vezes passa despercebido por anos. Isso acontece porque, na maioria dos casos, os sintomas só aparecem quando o comprometimento da função dos rins já está em estágio avançado. Por isso, especialistas reforçam a importância da prevenção e da realização de exames periódicos.

De acordo com o médico nefrologista Dr. Pedro Bibiano Pereira Júnior, os rins possuem uma grande capacidade de adaptação, o que contribui para que a doença evolua sem sinais evidentes no início.

“A doença renal crônica evolui silenciosamente porque os rins têm uma grande capacidade de reserva funcional. Eles conseguem compensar danos iniciais sem manifestar sintomas claros, e os sinais clínicos geralmente só aparecem quando há perda de até 80% da função renal”, explica.

Dr. Pedro Bibiano Pereira Júnior, médico nefrologista
Dr. Pedro Bibiano Pereira Júnior, médico nefrologista. Foto: Divulgação

Segundo o médico, quando os sintomas começam a surgir, eles podem ser confundidos com outros problemas de saúde. Entre os sinais de alerta estão cansaço constante, inchaço nos pés, tornozelos ou ao redor dos olhos, alterações na urina, pressão arterial elevada e náuseas.

“Os principais sinais incluem fadiga persistente, inchaço, urina espumosa ou com sangue, hipertensão de difícil controle, náuseas e alterações no volume urinário. Como são sintomas inespecíficos, muitas vezes só os exames laboratoriais conseguem confirmar o problema”, destaca.

Exames fundamentais

Para avaliar a saúde dos rins, alguns exames são considerados fundamentais. Entre eles estão a dosagem de creatinina no sangue, exame de urina para identificar a presença de proteínas e a estimativa da taxa de filtração glomerular, que indica o nível de funcionamento renal. “A taxa de filtração glomerular estimada é o principal marcador da função renal e permite classificar a doença em diferentes estágios”, afirma o especialista.

Alguns grupos da população devem ter atenção redobrada e realizar exames de forma regular. Pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal, idosos e fumantes estão entre os que apresentam maior risco de desenvolver problemas nos rins.

“Diabetes e hipertensão são as principais causas de doença renal crônica, sendo responsáveis por cerca de 60% a 70% dos casos. Quando essas doenças não estão bem controladas, podem danificar os vasos sanguíneos dos rins e acelerar a perda da função renal”, explica.

Jovem bebe um copo de água
Segundo o especialista, beber água ajuda a manter o fluxo sanguíneo renal e contribui para a eliminação de toxinas do organismo. Foto: Freepik

Tratamento

Embora a doença renal crônica nem sempre tenha cura, especialmente nos estágios mais avançados, os tratamentos atuais têm avançado significativamente e podem ajudar a controlar a progressão do problema.

“O tratamento tradicional busca controlar a evolução da doença e prevenir complicações. No entanto, novas terapias têm mostrado potencial para retardar a progressão e, em alguns casos, até promover remissão parcial da doença”, ressalta o médico.

Além do acompanhamento médico, hábitos de vida saudáveis também desempenham papel fundamental na proteção da saúde renal. Tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de sal, álcool e o uso indiscriminado de medicamentos podem prejudicar o funcionamento dos rins.

“O uso inadequado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios, pode causar lesões renais agudas ou crônicas. Por isso, o uso deve sempre ocorrer sob orientação médica”, alerta.

A hidratação adequada também é uma aliada importante. Segundo o especialista, beber água ajuda a manter o fluxo sanguíneo renal e contribui para a eliminação de toxinas do organismo. “A recomendação geral para adultos saudáveis é ingerir entre dois e três litros de água por dia, mas essa quantidade pode variar conforme o clima, a atividade física e as condições de saúde de cada pessoa”, orienta.

Batatas fritas caindo em cesto de fritura
Reduzir o consumo de sal, evitar alimentos ultraprocessados e manter uma dieta equilibrada são medidas importantes. Foto: Freepik

A alimentação também influencia diretamente na saúde dos rins. Reduzir o consumo de sal, evitar alimentos ultraprocessados e manter uma dieta equilibrada são medidas importantes para prevenir o surgimento de doenças renais.

Nos casos mais avançados, quando a função renal fica severamente comprometida, pode ser necessária a realização de diálise para substituir o trabalho dos rins. Isso geralmente ocorre no estágio mais avançado da doença, quando a taxa de filtração glomerular cai abaixo de 15. Nesse momento, a diálise passa a ser necessária para manter o equilíbrio do organismo.

Por fim, o médico reforça que a prevenção ainda é a melhor estratégia para preservar a saúde dos rins. “A população deve adotar hábitos saudáveis, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, evitar automedicação e realizar exames de rotina. A detecção precoce é fundamental para preservar a função renal por muitos anos”, conclui.

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