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Izinha Prado: um legado de amor e dedicação à saúde pública

Iza Conceição Leó do Prado, a Izinha, sentada em escritório
Izinha foi uma das mais competentes servidoras do sistema de saúde de Sergipe. Fotos: Flávia Pacheco

A vida da assistente social Iza Conceição Leó do Prado, carinhosamente chamada de Izinha, foi marcada pelo amor em todas as suas formas. Mãe dedicada, filha amorosa, irmã solidária e amiga leal, Izinha deixou um imenso vazio em todos que tiveram a honra de conhecê-la, quando se despediu deste plano em março de 2023. Sua trajetória, que vai da dança à gestão pública, é um exemplo de dedicação e excelência, especialmente no setor de saúde do estado de Sergipe.

Infância e educação

Izinha nasceu em 11 de junho de 1967 em Aracaju, mas sua infância foi marcada por constantes mudanças. Seu pai, José Augusto Prado, médico e bancário, foi transferido para Propriá pelo Banco do Brasil. Sua mãe, Iza Diamar Leó do Prado, é professora e escritora sergipana. Aos três anos, Izinha voltou para Aracaju, após seu pai ser transferido para a capital, onde completou o ensino fundamental no Colégio Imaculada Conceição e depois no Colégio Dinâmico. O ensino científico fez no Colégio Brasília.

Inicialmente, Izinha ingressou na Universidade Federal de Sergipe para estudar Engenharia Civil. No entanto, descobriu sua verdadeira vocação no Serviço Social, mudando de curso e, posteriormente, construindo uma carreira sólida e inspiradora.

Ainda jovem, Izinha foi aprovada em um concurso do Banco do Brasil, iniciando sua trajetória profissional. “Foi um concurso muito bom, que lhe deu estabilidade. Ela acabou indo para o interior, ficou uns cinco anos em Arauá e foi fazendo a vida dela no banco, mas entendendo que não tinha muito a ver com seu estilo e com sua vocação profissional e acadêmica. Era um serviço um pouco mais maçante”, lembra o irmão, Augusto Sávio Leó do Prado.

Izinha Prado com os pais, os filhos, o irmão e a sobrinha
Ao lado dos pais, filhos, irmão e sobrinha: a família sempre foi a sua base. Foto: Flávia Pacheco

Trabalhou no interior, em Arauá, por cinco anos, mas percebeu que o ambiente bancário não combinava com seu perfil. Sua primeira grande mudança de carreira ocorreu quando migrou para a Cassi, organização de saúde do Banco do Brasil, onde destacou-se e assumiu a gerência regional de Assistência Social por 14 anos.

O legado dela é o amor! Foi a pessoa de coração mais puro que eu tive alegria e o privilégio, não só conhecer, como ter como irmã.

Augusto Sávio Leó do Prado, irmão de Izinha

A Cassi se transformou em uma empresa e Izinha recebeu uma proposta de promoção que exigia mudança para Curitiba ou Manaus. Devido a questões pessoais e familiares, ela optou por permanecer em Aracaju. Segundo Augusto Sávio, muitos fatores contribuíram para que Izinha não aceitasse o desafio. “Ela estava em processo de separação, com filho pequeno, teria que ir sozinha, então Izinha conversou com nossos pais sobre a decisão, eles pediram para ela repensar, mas ela não declinou. E aí a rede de apoio familiar fez a diferença, todos nós abraçamos a sua decisão”, conta o irmão.

Izinha Prado ao lado do irmão, Augusto Sávio Leó do Prado
Izinha e o irmão, Augusto Sávio Leó do Prado. Foto: Flávia Pacheco

Contribuição à saúde pública

Em 2009, Izinha ingressou na Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) após ser aprovada em concurso. Sua atuação foi marcada por cargos de gestão e excelência, destacando-se como coordenadora das unidades da capital e, posteriormente, no Núcleo Interno de Regulação (NIR) do Hospital de Urgências Governador João Alves Filho (Huse).

Em 2019, assumiu a superintendência do Hospital Regional de Nossa Senhora do Socorro, onde foi amplamente reconhecida por seu trabalho. Em dezembro de 2022, Izinha iniciou uma nova jornada na Secretaria de Estado da Saúde como gerente de políticas da Atenção Hospitalar.

Uma perda irreparável para a FHS, seu órgão de origem, mas inquestionavelmente um desfalque insubstituível no sistema SES/Sergipe.

Jorge Kleber
Jorge Kleber, diretor-geral da FHS de 2018 a 2022
Jorge Kleber, diretor-geral da FHS de 2018 a 2022. Foto: Flávia Pacheco

“Iza Prado, nossa querida Izinha, que nos deixou muito cedo, foi sem sombra de dúvida uma das mais competentes, atuantes e dedicadas servidoras do sistema de saúde de Sergipe. Do planejamento da atenção básica à superintendência do regional de Nossa Senhora do Socorro, Izinha foi uma descobridora de talentos em saúde pública. Uma corajosa gestora pública que enfrentava qualquer desafio quando a missão era salvar vidas”, disse Jorge Kleber, diretor-geral da FHS de 2018 a 2022.

O diretor de Recursos Humanos da FHS de 2018 a 2022, Ives Déda, lembra da profissional capacitada e acolhedora que foi. “Iza ou Izinha, nossa pequena e mais que notável. Ser humano de intensa luz que atingia a todos que a cercavam com seu abraço acolhedor, risada contagiante. Ombro amigo de todas as horas, mãe de muitos e não apenas dos filhos de ventre!!! Profissional capacitada que brilhou por onde passou, seja no BB, FHS, SES e nos nossos corações. Deixou sua marca indelével de competência e dedicação ao próximo”, comentou.

Exemplo de amizade e amor

A enfermeira Jurema Mercia Viana de Jesus Santos, coordenadora Estadual de Segurança do Paciente e Controle de Infecções relacionadas à Assistência à Saúde, recorda com carinho da amizade com Izinha desde 2009. “Nessa época fui convidada a assumir uma coordenação e éramos colegas, logo depois, viramos amigas. Trabalhamos juntas até 2012. Retornei em 2013, Izinha continuava na equipe de gestão da Diretoria Operacional e foi meu apoio na implantação do Núcleo Interno de Regulação (NIR) do Huse”, relata.

Izinha Prado e a enfermeira Jurema Santos
Jurema: “sinto muita saudade e não há um dia em que não me lembre dela”. Foto: Flávia Pacheco

Segundo Jurema, Izinha era uma amiga fiel, não media esforços para ajudar, não só os amigos, mas a quem não conhecia também. “Gostava de juntar todos ao seu redor, era uma grande anfitriã, fazia várias delícias gastronômicas. Izinha tinha formação em terapia de casais, sempre foi uma excelente ouvinte e conselheira. Desde o tempo em que trabalhamos juntas, fizemos uma grande amizade”, comenta Jurema.

Izinha Prado e a enfermeira Alanna Gleice
Alanna Gleice e Izinha: momentos inesquecíveis. Foto: Flávia Pacheco

Ah, minha amiga… Você nem imagina o quanto me ensinou neste e em todos os dias que partilhei com você, desde 2013, quando começamos a trabalhar juntas. Uma fé inabalável, uma alegria inacabável e um amor… Ah, um amor pela vida sem igual.

Alanna Gleice Carvalho Fontes Lima, enfermeira

Alanna Gleice Carvalho Fontes Lima e Dahiana Oliveira Mendes, enfermeiras e amigas de Izinha, também lembram com emoção dos momentos compartilhados e do impacto positivo que ela teve em suas vidas. “Falar sobre Izinha é falar de amor. Sempre disse, e tive a oportunidade de falar diversas vezes para ela, que era a pessoa mais feliz que eu conheci na vida. Não havia momento difícil que Izinha não transformasse em aprendizado e calmaria”, recorda Alanna.

Para Dahiana Oliveira Mendes, Iza era inspiradora, zelosa e amorosa, esse alguém que em todas as atitudes agia com esses adjetivos próprios da sua natureza. “Tivemos a oportunidade de trabalharmos diretamente por três anos e três meses, dias em que me ensinou muito além das atividades profissionais, mas também de como buscar ser um ser humano melhor”.

Izinha Prado e a enfermeira Dahiana Oliveira Mendes
Dahiana Oliveira: “sempre acolhedora e avessa a preconceitos”. Foto: Flávia Pacheco

Sua fé inabalável, amor à vida, respeito às pessoas, carisma e compromisso com o próximo ficaram como ensinamentos a todos nós que trabalhamos com você no Hospital Regional José Franco Sobrinho, localizado no município de Socorro.

Dahiana Oliveira Mendes, enfermeira

Uma batalha corajosa

Izinha casou aos 32 anos e teve dois filhos, Davi, 21 anos, e João Augusto, 17, que hoje vivem com os avós. Seu irmão, Augusto Sávio Leó do Prado, recorda que Izinha era superprotetora e amorosa com seus filhos. Suas sobrinhas, Isadora e Lara Prado, filhas de Sávio, a amavam. Ela chamava Isadora de ‘sofilha’, e chegou a amamentá-la.

“Os meninos são maravilhosos, muito tranquilos, muito bem criados por ela. E ela acabou replicando talvez um pouco do comportamento que meus pais fizeram com ela, superprotetora, e eu falava sempre para ela: ‘você deve dar mais autonomia aos seus filhos porque no futuro eles vão cuidar de você’. E isso não aconteceu”, lamenta Augusto Sávio.

Izinha Prado com os filhos Davi e João Augusto
Izinha e seus filhos Davi e João Augusto. Foto: Flávia Pacheco

Nos meses que antecederam sua morte, Izinha enfrentou problemas de saúde que culminaram em uma vasculite, uma inflamação generalizada dos vasos sanguíneos. Mesmo internada e enfrentando complicações severas, manteve-se guerreira até o fim. Em 27 de março de 2023, Izinha faleceu, deixando um legado de amor e dedicação que será eternamente lembrado.

A trajetória de Izinha Prado é um exemplo de amor, resiliência e dedicação ao próximo, especialmente no campo da saúde pública. Sua vida, marcada por constantes transformações e desafios, deixa um legado inspirador para todos que tiveram a honra de conhecê-la.

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