Em Aracaju repousa de maneira singular uma rua histórica da cidade. Inicia-se à Rua da Frente (Av. Ivo do Prado) às margens de um dos mais belos rios brasileiros, o Rio Sergipe. Este acaricia com o seu maravilhoso vai e vem das marés a nossa encantadora capital.
Pois é, esta rua é a Rua Campos, que nasce esplendorosa ali. Direciona-se em linha reta obedecendo as linhas geométricas do tabuleiro programado com especial arquitetura urbanística para o meio do território da cidade terminando, finalmente, à Rua Lagarto, numa barreira perpendicular da armação desse próprio “tabuleiro de xadrez”, arquitetado por engenheiro Sebastião José Basílio Pirro, no ano de 1855, com ruas retas e quarteirões simétricos.
Portanto, apesar de passar por apenas sete desses quarteirões, delineia o IPES, o Atheneu Sergipense e outras importantes instituições de saúde do estado de Sergipe. A princípio exclusivamente residencial, hoje em dia foi transformada às custas do progresso em uma zona urbana de empreendedorismo.
Dentre as inúmeras cadeiras que fazem parte do mobiliário das suas edificações, destacamos cadeiras residenciais, cadeiras de instituição escolar, cadeiras de consultórios, cadeiras de espera etc. Pois bem, mas existe uma em especial, a Cadeira 7.
Como a mesma é constituída fisicamente? Seria de madeira, de ferro, com estofado, decorada, antiga, moderna, simples, luxuosa? Quem sabe? Onde está localizada? Em alguma residência ou instituição, fazendo parte do mobiliário de um destes logradouros citados? Talvez sim, talvez não. Qual sua utilidade? Poderia ser o óbvio, sentar-se ou apenas decorar um ambiente. Qual a razão do seu destaque? Veremos.
Passamos nesse momento tentar justificar essas enquetes. Antes gostaria de abrir e fechar com parênteses, para que de forma relativamente simples e resumida fosse prestada nesse momento uma referência de homenagem à Academia Sergipana de Medicina (ASM).
Uma das mais nobres e históricas instituições do estado de Sergipe, representada pelos mais destacados e referenciados médicos, a ASM é responsável por preservar e divulgar a profícua e respeitada medicina na nossa região, no Brasil e no mundo.
Constituída por nobres médicos, fundada em 1995 por impolutos profissionais, foi capitaneada pelo inesquecível Gileno Lima. Apresenta notória representatividade em todos os espaços sociais, políticos e científicos. Poderíamos nos delongar sobre este tópico com inúmeros contos maravilhosos, entretanto não é este o propósito que se destina este relato.
Sim, então voltemos à Rua Campos e voltemos à Cadeira 7. Agora vamos justificar as premissas e interrogações supracitadas. A ASM tem à Rua Campos talvez a rua mais emblemática de toda sua história. Isso porque nesta rua figuras impolutas, reconhecidamente consideradas e eternizadas viveram por lá.
Inicialmente podemos citar o inesquecível médico sergipano Carlos Alberto de Menezes Firpo (o famoso Carlos Firpo), homenageado com seu nome em diversos logradouros públicos da nossa maravilhosa Aracaju. Destacou-se na medicina como grande profissional e socialmente como significante homem público.
Nada menos importante, seguindo a ordem cronológica da história e dos acontecimentos, referenciamos também o especial médico otorrinolaringologista e oftalmologista Álvaro Azevedo Santana (o conceituadíssimo Álvaro Santana), que brilhantemente escreveu uma digna e verdadeira missão de profissionalismo exemplar.
Sem mais delongas, resta-nos comentar sobre o acaso, sobre uma obra do destino, sobre uma coincidência ou até mesmo aquilo que se deseje. O porquê do título deste capítulo da Antologia é “A Cadeira 7 da Rua Campos”, deve-se a esses dois médicos imortais que ocuparam a Cadeira de Nº 7 da Academia Sergipana de Medicina. Ambos viveram e moraram nesta rua emblemática, volto a referenciá-la assim.
Contudo, não se encerra por aí. A fim de corroborar mais ainda com o destino, este que vos transcreve nesse momento, Jeferson Sampaio d’Avila, também otorrinolaringologista, ocupa atualmente “A Cadeira 7 da Rua Campos” na ASM desde 18 de julho de 2007; diga-se de passagem, com imensurável honra.
Como convergência do acaso, este também vivencia sua carreira profissional de médico na Clínica Otocenter, que está localizada neste mesmo logradouro público. No mínimo muito interessante e inexplicável situação de coincidência análoga envolvendo os três membros da ASM.
Aproveito para com bastante respeito e consideração, agradecer aos confrades e confreiras que me elegeram com a maior das honrarias da minha vida e da medicina em Sergipe, para ocupar essa magnífica cadeira. Declaro aqui o meu mais puro apreço e sentimento de gratidão aos senhores e ao povo do meu Sergipe por me oferecerem a permissão do exercício de uma das mais nobres e magníficas profissões, e em especial à ASM por tão significante condecoração e homenagem.
Fica assim registrado mais esse momento memorável. Agradeço m. a oportunidade e o espaço literário para esse breve relato. Desta forma, considero este fato como relevante para a história de Sergipe e acredito poder ter contribuído para a tão respeitada Antologia e Academia com: “A Cadeira 7 da Rua Campos”. Mui atenciosamente.
Jeferson Sampaio d’Avila – é otorrinolaringologista, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz e ex-presidente da Sociedade Norte Nordeste de Otorrinolaringologia

