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A gravidade dos casos de síndrome respiratória aguda grave

O recente Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela um cenário preocupante: os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) estão em alta em todo o Brasil. O aumento das internações em estados como Bahia, Goiás, Paraíba, São Paulo e Sergipe acende um alerta sobre a gravidade da situação atual e a necessidade de medidas urgentes para conter a disseminação das doenças respiratórias.

Dados da Secretaria de Estado da Saúde indicam que, apenas este ano, 69 pessoas já perderam a vida em decorrência da SRAG em Sergipe, e foram registrados mais de 2.770 casos. Na análise dos vírus respiratórios que mais acometeram a população em 2024, a covid-19 lidera, com 1.538 casos, seguida de perto pelo rinovírus, com 1.448 casos. Esses números, correspondentes até a Semana Epidemiológica 34 (31 de dezembro de 2023 a 24 de agosto de 2024), demonstram que a covid-19 continua circulando e que outras ameaças respiratórias também não devem ser subestimadas.

Em meio a esse cenário, a presidente da Sociedade Sergipana de Pediatria (Sosepe), Dra. Ana Jovina, reforça a importância da vacinação como a principal medida de prevenção. Ela destaca que vírus como influenza e covid-19, que representam cerca de 30% dos casos de SRAG em 2024, podem ser combatidos de forma eficaz por meio de vacinas. “Vacinar é a melhor forma de prevenção”, enfatiza Dra. Ana, lembrando que, embora a vacina não elimine completamente o risco de contágio, ela é fundamental para reduzir a gravidade dos casos e a pressão sobre o sistema de saúde.

Além da vacinação, outros cuidados são essenciais para minimizar o risco de contaminação, especialmente entre as crianças, que são mais vulneráveis. Dra. Ana Jovina orienta que os pais evitem levar seus filhos a locais fechados e aglomerados, mantenham o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, ofereçam alimentos in natura e evitem os industrializados. Ela também ressalta a importância de ensinar as crianças maiores a lavar as mãos com frequência, um hábito simples, mas eficaz na prevenção de muitas infecções.

Outro ponto fundamental é o cuidado com os sintomas respiratórios. A orientação da Sosepe é clara: crianças com sintomas não devem ser enviadas à escola, e tanto crianças maiores quanto adultos que apresentem sintomas devem usar máscara e evitar sair de casa, a menos que seja estritamente necessário. Essas medidas, embora pareçam restritivas, são fundamentais para conter a disseminação de vírus e proteger a saúde coletiva.

O aumento dos casos de SRAG é um sinal claro de que o combate às doenças respiratórias exige uma abordagem multifacetada, que combina a vacinação em massa, a conscientização sobre hábitos de higiene e a responsabilidade individual e coletiva. É um esforço que precisa envolver toda a sociedade, das famílias ao poder público, para que possamos evitar novas mortes e garantir que o sistema de saúde não seja sobrecarregado.

André Carvalho – jornalista responsável

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