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Ao mestre “Teles”, com carinho!

Dr. Antônio Carlos Sobral Sousa e Dr. José Teles de Mendonça na UFS
Dr. Sousa e Dr. Teles. Foto: Divulgação

O longa-metragem britânico To Sir, with Love (Ao Mestre, com Carinho), sucesso de bilheteria em 1967, escrito e dirigido por James Clavell e estrelado por Sidney Poitier, mostrou que, com educação, é possível sim mudar a realidade de alguém que, eventualmente, poderia ser um nada para a sociedade. O adolescente José Teles de Mendonça, oriundo do bairro aracajuano 18 do Forte, queria ser mecânico; todavia, seu visionário pai, Antônio Mendonça do Nascimento, já orientava: “Você vai ser engenheiro mecânico, porque, sem estudo, não se vai a lugar nenhum!”

No curso científico, Teles decidiu que iria ser médico e, uma vez transpostos os umbrais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS), identificou-se com a cirurgia cardíaca e se tornou, para admiração e orgulho dos sergipanos, um gigante nacional da especialidade, internacionalmente reconhecido por uma técnica que leva o seu nome, para correção da cardiopatia congênita coarctação da aorta. A ironia do destino: Dr. Teles passou a consertar corações que, à semelhança de um motor de automóvel, também são dotados de partes elétrica e mecânica!

Teles não se dedicou apenas a honrar, com responsabilidade, o seu diploma de esculápio, que o fizera trilhar uma escalada de permanente ascensão, deferida toda ela pela confiança e habilidade de um cirurgião percuciente e seguro, integrado às suas lides e aos seus propósitos. Referindo-se aos profissionais da medicina, René Dumesnil, em sua obra A alma do médico, assim se pronunciou: “A tarefa do médico não é somente a de defender a vida contra a morte, mas também reafirmar o respeito e o próprio sentido da vida.” No exercício da profissão, nosso querido amigo cumpriu esse ensinamento. Tem sido um médico digno e desinteressado por bens materiais. Não acumulou riqueza e sempre esteve pronto a servir aos seus clientes, independentemente do tipo assistencial de saúde. Ele, possuidor do espírito desbravador dos pioneiros, abraçou também a pesquisa, contribuindo significativamente no campo da inovação.

Foi fundador e chefe da Unidade Cardiotorácica da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital São Lucas e diretor-geral do Hospital de Clínicas Dr. Augusto Leite, dentre outros cargos e funções administrativas. Destacou-se, ainda, como exímio empreendedor, liderando um grupo de colegas que nos brindou com o Hospital do Coração, o qual presta relevantes serviços à comunidade sergipana.

Vale ressaltar que o insigne discípulo de Hipócrates foi também dotado da nobre vocação de transferir conhecimento, ao tempo em que aprendia com os alunos. Prof. Teles, estaremos a recordar aquelas lições de Medicina em que a palavra fácil, a justeza de expressão, o raciocínio seguro e a profundeza de conhecimentos enfeixam as virtudes intelectuais que vos fizeram credor do respeito de seus alunos e de inúmeras distinções recebidas, como a de paraninfo de turma. Tem sido um palestrante aclamado nos principais conclaves da cardiologia brasileira, protagonizando, com humildade, a sua liderança nata. Com sua influência e simpatia, introduziu inúmeros colegas no cenário cardiológico nacional.

Na semana passada, o carinhoso “professor” requereu aposentadoria da UFS, em uma solenidade prestigiada pelo reitor, Valter Joviniano, e pelos diretores da atual administração, além de chefes de departamentos, professores, alunos, ex-reitores, familiares e amigos. Apesar do ambiente nostálgico, o agora professor aposentado nos tranquilizou, com a promessa de que continuará ensinando e praticando o humanismo integral pelo saber, compreensão e paciência.

Caro Teles, obrigado pela amizade, pelo companheirismo e, sobretudo, pelos ensinamentos. Segundo o historiador, jornalista e escritor estadunidense Henry Brooks Adams: “O professor se liga à eternidade. Ele nunca sabe quando cessa a sua influência”.

Antônio Carlos Sobral Sousa – cardiologista, professor titular da UFS e membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação e da Academia Riachuelense de Letras, Ciências e Artes

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