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Carrego comigo, para sempre, a medicina que vi e vivi

Nasci em outubro de 1950. Formei-me em dezembro de 1975. Confesso que nesta época a Medicina era muito difícil. Só tínhamos estetoscópio, aparelho de pressão, alguns exames laboratoriais, meia dúzia de antibióticos e de quimioterápicos. Raio-X? Somente na capital ou algumas cidades maiores.

Na cidadezinha em que eu morava, o médico exercia todas as especialidades e ainda “arrancava dente”, além de ser Psicólogo e amigo de todos. Os médicos eram muito queridos e respeitados. E os clientes entendiam e compartilhavam suas dificuldades. Todos pacientes eram atendidos com muito carinho. Tínhamos tempo de sobra para ouvi-los e examiná-los. Esta capacidade de lidar educadamente com um estranho, o paciente, trazíamos de casa e aprendemos com nossos pais e nenhum livro didático ensinaria melhor. Hoje, decorridos quase 50 anos, apesar de toda inovação, a Medicina continua difícil e vejo que é isto que falta: empatia e carinho, tempo e paciência, para ouvir e examinar.

A Medicina que aprendi quando jovem, mora em mim para sempre.

William Eduardo Nogueira Soares – é oncologista clínico, ex-presidente da Somese e da Academia Sergipana de Medicina e sobramista de primeira hora.

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