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Covid-19 acabou? Perspectivas e a hesitação na vacinação

A pandemia de COVID-19 transformou o mundo de maneiras inimagináveis. Após anos de incertezas, sofrimento e avanços científicos notáveis, muitas pessoas se perguntam: “A COVID-19 acabou?”. Embora os casos graves e as mortes tenham diminuído consideravelmente em muitos países, declarar o fim da pandemia é simplificar um cenário ainda complexo.

A resposta curta é: não, a COVID-19 não acabou. O vírus SARS-CoV-2 continua circulando globalmente, adaptando-se por meio de variantes. No entanto, estamos em uma fase de convivência com o vírus, graças a avanços como vacinas eficazes, tratamentos antivirais e maior conscientização sobre medidas preventivas.

Profissional de luvas aplica vacina no braço de mulher de máscara
A baixa adesão às vacinas reduz a imunidade de grupo. Foto: Freepik

Apesar disso, um problema crescente preocupa cientistas e profissionais de saúde: a hesitação vacinal. Dados recentes mostram que, com o declínio da percepção de risco, muitas pessoas estão negligenciando doses de reforço ou até mesmo recusando a vacinação inicial. A hesitação é alimentada por fatores como desinformação, confiança abalada nas instituições e a falsa sensação de que a pandemia está encerrada.

Esse comportamento representa um risco não apenas individual, mas coletivo. A baixa adesão às vacinas reduz a imunidade de grupo, permitindo que novas variantes potencialmente perigosas emerjam. Além disso, grupos vulneráveis, como idosos e imunocomprometidos, continuam em risco.

As perspectivas futuras dependem de esforços coordenados. É essencial reforçar campanhas de conscientização, utilizando evidências científicas para combater mitos e destacar a segurança e eficácia das vacinas. Programas de vacinação precisam ser acessíveis, sobretudo em regiões mais pobres. A integração da vacinação contra COVID-19 aos calendários regulares, como ocorre com a gripe, também pode aumentar a adesão.

Por fim, cabe a todos – governos, cientistas, profissionais de saúde e a sociedade – entender que a COVID-19 não é apenas um capítulo do passado. É um desafio contínuo, mas que pode ser controlado por meio da ciência e do compromisso coletivo. Assim, podemos vislumbrar um futuro onde viver com o vírus seja seguro e sustentável.

Lysandro Borges – farmacêutico, cientista e professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

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