Clinradi lidera área no estado com investimento em tecnologia de ponta

No mês em que se intensificam os debates sobre qualidade e segurança nos tratamentos oncológicos, a física médica ganha destaque como uma das áreas mais estratégicas dentro dos serviços de radioterapia. À frente desse trabalho no estado de Sergipe está a física médica Camila Trindade de Oliveira, coordenadora de Física Médica na CLINRADI, que detalha com profundidade o papel do físico-médico na jornada do paciente com câncer.
Camila possui formação robusta na área: é bacharel em Física Médica pela Universidade Federal de Sergipe, especialista em Física da Radioterapia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e pela Associação Brasileira de Física Médica (ABFM). Acumula dois títulos de mestrado — um em Tecnologia Nuclear (IPEN/CNEN–USP) e outro em Gestão Empresarial (FGV) — e atualmente é doutoranda em Tecnologia Nuclear. Também atua como Supervisora em Proteção Radiológica, credenciada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
O que é física médica?
Segundo Camila, a Física Médica “estuda e aplica conceitos físicos como radiação, energia e imagem em procedimentos médicos”, atuando de forma decisiva em áreas como radioterapia, medicina nuclear e diagnóstico por imagem. “Na Clinradi, a Física Médica participa diretamente da elaboração dos tratamentos radioterápicos, planejamento, dosimetria clínica, garantia da qualidade, testes e comissionamento dos equipamentos e programas de proteção radiológica”, explica.
Segurança e precisão para cada paciente

Um dos principais pilares da atuação do físico-médico é a segurança radiológica. “O trabalho do físico-médico é crucial para garantir que exames e tratamentos com radiação sejam realizados de forma segura e eficaz”, afirma Camila. Ela destaca que o profissional segue os princípios da proteção radiológica, como o ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que visa manter as doses de radiação o mais baixas possível, sempre equilibrando os aspectos clínicos, econômicos e sociais.
Na radioterapia, o físico-médico planeja a entrega da dose ao alvo tumoral, protegendo os órgãos saudáveis adjacentes. “O físico-médico realiza controle contínuo da qualidade e calibração dos equipamentos, assegura que todos os protocolos e normativas sejam seguidos e está preparado para atuar em situações de emergência”, pontua.
Planejamento e tecnologia de ponta
Todo tratamento radioterápico passa por um processo rigoroso de planejamento. “Com auxílio de softwares, o físico calcula e planeja para que a dose prescrita seja corretamente entregue à lesão, respeitando os tecidos sadios”, explica. Esse processo é seguido de uma série de testes e validações antes da aplicação ao paciente.
O domínio tecnológico é extenso. Entre os principais recursos que o físico-médico precisa dominar estão sistemas de planejamento computadorizado, sistemas de dosimetria, aceleradores lineares, sistemas de imagem e ferramentas de verificação da conformidade, além da capacidade de analisar e integrar essas ferramentas de forma personalizada.
Formação e regulamentações
Para atuar como físico-médico em radioterapia, o profissional precisa ser graduado em Física Médica ou Física Bacharelado, realizar residência na área ou obter a certificação de especialista pela ABFM. “Além disso, precisa de registro profissional junto à CNEN para atuar como supervisor de proteção radiológica, e também, no caso de tratamentos como a braquiterapia, um segundo registro para manuseio de fontes radioativas”, detalha.
A atuação do físico-médico está, inclusive, respaldada por normas regulatórias: “Segundo a Norma 6.10 da CNEN, todo Serviço de Radioterapia deve ter ao menos um supervisor de proteção radiológica de radioterapia, um substituto e um especialista em física médica de radioterapia para cada 600 novos pacientes por ano”.
Sergipe e o futuro da física médica
Camila Trindade enxerga com otimismo o cenário local. “A área de radioterapia vem apresentando significativa expansão no estado de Sergipe, refletindo investimentos crescentes em infraestrutura oncológica e alta tecnologia, oferecendo hoje o que há de mais moderno na área.”

Quanto ao futuro, ela aponta as novas tecnologias como aliadas estratégicas. “A inteligência artificial já está revolucionando a radioterapia, tornando-a mais rápida, precisa, segura e eficiente. Ela ajuda em tarefas como o planejamento do tratamento, ajuste de dose, identificação de tumores e predição de efeitos colaterais.”
Inteligência artificial e radioterapia
A inteligência artificial (IA) também tem revolucionado a radioterapia ao permitir um planejamento mais preciso, ágil e personalizado dos tratamentos. Por meio de algoritmos avançados, a IA analisa imagens médicas com altíssima acurácia, identifica áreas tumorais com maior definição e contribui para a criação de planos de radioterapia que maximizam a dose no tumor e minimizam os danos aos tecidos saudáveis. Essa tecnologia também possibilita a adaptação do tratamento em tempo real, conforme a resposta do paciente, promovendo melhores desfechos clínicos e otimizando recursos em ambientes de alta complexidade.
A trajetória e atuação de Camila Trindade e suas colegas na física médica revelam o protagonismo desse campo na medicina moderna. Em cada sessão de radioterapia, existe ciência, tecnologia e responsabilidade compartilhada — e o físico-médico é uma peça-chave para que a esperança do paciente caminhe junto da precisão dos feixes de radiação.

