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Humanismo na medicina

É essencial que o médico trate os seus pacientes com humanismo. No momento em que o profissional da medicina olha para um paciente, não deve enxergar somente a doença, e sim, o portador da doença, também. O paciente, quando procura o médico, se encontra fragilizado e o seu nível de ansiedade geralmente é alto. Uma boa e atenciosa conversa entre médico e paciente é o recomendável. O médico, ouvindo e valorizando o histórico e o relato do paciente e seus sintomas, tem demonstrado expressiva melhora por parte desse paciente.

A pressa no atendimento é o caminho para imperfeição, podendo levar a erros frequentes no diagnóstico e na tomada de condutas inadequadas. É inadmissível que o médico não faça um exame físico rigoroso. O médico que olha tão somente para o paciente e não ouve e nem percebe todo o contexto, nunca terá a certeza sobre a doença. O olho clínico do médico é uma ferramenta fundamental para que o diagnóstico seja preciso. As decisões devem ser sempre compartilhadas entre o médico e os familiares. Respeitar opiniões dos familiares e saber argumentar com serenidade é essencial para uma relação médico x paciente saudável.

Nunca um médico deve perder o encanto pela medicina. Para que ele exerça a sua profissão com arte, tem que estar lastreado nos princípios éticos e morais e seguindo as bases do juramento de Hipócrates, praticando assim uma medicina com humanismo. O Juramento de Hipócrates, revisado pela última vez na 68ª Assembleia da Associação Médica Mundial em Chicago, EUA, em outubro de 2017, inclui os seguintes princípios:

“Prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade; A saúde e o bem-estar de meu paciente serão as minhas primeiras preocupações; Respeitarei a autonomia e a dignidade do meu paciente; Guardarei o máximo respeito pela vida humana; Não permitirei que considerações sobre idade, doença ou deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, estatuto social ou qualquer outro fator se interponham entre o meu dever e meu paciente; Respeitarei os segredos que me forem confiados, mesmo após a morte do paciente; Exercerei a minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com as boas práticas médicas; Fomentarei a honra e as nobres tradições da profissão médica; Guardarei respeito e gratidão aos meus mestres, colegas e alunos pelo que lhes é devido; Partilharei os meus conhecimentos médicos em benefício dos pacientes e da melhoria dos cuidados da saúde; Cuidarei da minha saúde, bem-estar e capacidades para prestar cuidados da maior qualidade; Não usarei os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça.”

Não nos esqueçamos de que a pressa e a desatenção diante de uma pessoa que procura um médico, para tirar as suas dores, quer sejam físicas ou da alma, essa pessoa se encontra cheia de esperança e na certeza que haverá empatia e confiança no profissional médico. É salutar que ao término de uma consulta médica o enfermo seja revigorado de esperança e a certeza da cura da sua doença.

Dr. Lauro Barros Fontes – é médico cardiologista

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