Estacionei meu carro, abri sua porta, saí, respirei fundo e me dirigi à sala de velório. Cumprimentei a doce Kátia com algumas palavras óbvias e desnecessárias; ninguém tem palavras para atenuar a dor do luto de alguém, um abraço fala bem mais à alma. Depois, como que precisando de uma confirmação, parei em frente à urna funerária que acomodava o corpo sem vida do velho e querido amigo Guilhermino.
Por alguns instantes, olhei a serenidade de sua palidez e sua imobilidade. Como um flash de memória, lembrei de tantas vezes divertidas e instrutivas que tive no convívio com aquele amigo ao longo da minha vida; da sua inquietação, da inteligência rápida, brilhante e sarcástica.

Veio uma vontade enorme de chorar! Chorar por ele e por todos que entraram e saíram da vida, nesse processo de adeus intermináveis.
Por que a morte tem que roubar o rubor das faces e paralisar suas vítimas? Por que rouba o sorriso, o calor da pele e o brilho do olhar?
Se a morte é tão poderosa e invencível, bem que poderia ser mais generosa e modesta; seria dispensável tanta arrogância e prepotência para com quem parte e jamais voltará, bem como para com aqueles que permanecem enlutados.
Voltei para casa, sentei-me no piso do banheiro, abri a torneira do chuveiro e chorei, chorei despudoradamente! Chorei sem poupar soluços ou lágrimas.
Depois me recompus, sentei-me e comecei a escrever como forma de consolo, pela perda de tanta gente que passou pela minha vida, deixando marcas de ensinamentos, carinho e amor.
Por fim, gostaria de pedir a todos os meus inúmeros amigos tão queridos: parem de morrer, por favor! Esse morre, morre é um saco de tristeza. A partida de cada um de vocês deixa um vazio impreenchível e vai roubando pedaços de minha existência. Como vou demorar muito para partir, deixem para morrer depois que eu me for.
Dr. José Marcondes de Jesus – é membro da Sobrames Sergipe e da Academia Itabaianense de Letras

