O Bar Bico Doce, situado numa encruzilhada que nunca levou a lugar algum, último refúgio dos pinguços de toda espécie, fechou as portas. Pelo visto, pra sempre. Soube que o pinguço-mor, o proprietário, bateu as botas e não deixou herdeiro.
Era o mais charmoso centro de convivência de desocupados e desencantados que não encontravam mais motivo pra viver e terminavam vivendo longamente às custas de conversa fiada, pitu, velho barreiro, casca de pau e tripinha de porco assada repetidamente em tachos que acumulavam séculos de óleo reutilizado.
O Bico Doce era um deboche ao cotidiano do mundo do seu entorno, carente de ilusão. Um refúgio espremido numa esquina, com vista pra nada, de costas pra vida. Durante um bom tempo foi uma Nau sem comandante que terminou naufragando antes que a maior parte da sua tripulação. Uma pena!
Rômulo Silva – é médico angiologista e cirurgião vascular, integra a Sobrames Sergipe

