
A osteoporose é a doença osteometabólica mais comum e afeta principalmente as mulheres, embora também atinja homens e pessoas mais jovens em situações específicas. Caracterizada pela redução da densidade óssea, a condição torna os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas, especialmente no quadril, coluna vertebral, punhos e ombros.
De acordo com o endocrinologista Dr. Francisco de Assis Pereira, médico titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e densitometrista titulado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, os ossos estão em constante processo de remodelamento, que envolve formação e reabsorção óssea. Na osteoporose, esse equilíbrio é alterado, com redução da formação ou aumento da reabsorção, resultando em perda de massa óssea.

Entre os principais fatores de risco estão o sexo feminino, idade avançada, histórico familiar, baixo peso corporal, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, menopausa precoce, dieta pobre em cálcio e vitamina D, além do uso prolongado de medicamentos como corticoides e anticonvulsivantes. Doenças crônicas, como lúpus, artrite reumatoide, cirrose e AIDS, também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Embora seja mais frequente em idosos, a osteoporose pode surgir em qualquer fase da vida. Quando ocorre em pessoas mais jovens, geralmente está associada a outras condições de saúde, sendo classificada como osteoporose secundária, como nos casos de doenças intestinais que comprometem a absorção de cálcio e vitamina D.
“Nas mulheres, o risco é maior devido à queda acentuada dos níveis de estrogênio após a menopausa, hormônio essencial para a manutenção da massa óssea. Além disso, a constituição óssea feminina apresenta menor densidade, o que reduz a reserva óssea ao longo da vida”, explica Dr. Francisco de Assis Pereira.
Diagnóstico e sinais
Considerada uma doença silenciosa, a osteoporose raramente apresenta sintomas iniciais. Muitas vezes, o diagnóstico ocorre apenas após a primeira fratura. Sinais como redução da altura ao longo dos anos e deformidades da coluna vertebral, como a cifose, podem indicar perda óssea avançada.
O diagnóstico padrão-ouro é feito por meio da densitometria óssea, exame simples, rápido e seguro, capaz de identificar se o paciente possui massa óssea normal, osteopenia ou osteoporose. Em casos de fratura decorrente de baixo impacto, como quedas da própria altura, o diagnóstico pode ser confirmado mesmo sem a realização do exame.
“Embora ainda pouco discutida, a osteoporose também afeta homens, muitas vezes com diagnóstico tardio. Consumo excessivo de álcool, baixos níveis de testosterona e doenças crônicas estão entre os principais fatores associados”
Dr. Francisco de Assis Pereira, endocrinologista
“Por se tratar de uma doença crônica, a osteoporose não tem cura, mas pode ser controlada de forma eficaz. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, cessação do tabagismo e do consumo de álcool, além de alimentação adequada. O uso de medicamentos é indicado conforme o risco de fratura e a condição clínica do paciente, com o objetivo de reduzir a perda óssea e fortalecer os ossos”, comenta o especialista.
Cuidados em casa

A aposentada Helena Carvalho convive com a osteoporose há alguns anos. Ela conta que o diagnóstico teve início após a realização de uma densitometria óssea, exame que identificou a presença de osteopenia. “Desde então, faço o controle anual. Comecei a tomar vitamina D e cálcio para fortalecer os ossos”, relata.
Os cuidados passaram a fazer parte da rotina diária da aposentada. “Em casa e no dia a dia, é fundamental evitar quedas, não subir em escadas e redobrar a atenção com escorregões, principalmente no banheiro. No meu banheiro, por exemplo, já instalei uma barra de apoio para me segurar caso escorregue. E o principal: não esquecer de tomar os medicamentos corretamente”, comenta.
Prevenção
A alimentação desempenha papel fundamental na prevenção, especialmente com ingestão adequada de cálcio, vitamina D e proteínas. A suplementação, no entanto, não é indicada para todos e deve ser recomendada apenas em casos de deficiência comprovada, diagnóstico de osteoporose ou quando a ingestão alimentar é insuficiente.
A prática de exercícios físicos, principalmente os que envolvem carga, musculação, impacto controlado e atividades de equilíbrio, contribui para o fortalecimento muscular e redução do risco de quedas. Esses exercícios devem ser realizados conforme a condição clínica do paciente e com orientação profissional.
A prevenção de quedas é uma das principais estratégias para evitar fraturas, especialmente entre idosos. Medidas simples de adaptação do ambiente doméstico podem reduzir significativamente os riscos.
A principal mensagem do especialista é clara: apesar de silenciosa, a osteoporose pode ter consequências graves. “O diagnóstico precoce e a adoção de hábitos saudáveis desde a infância são fundamentais para preservar a saúde óssea, evitar fraturas e garantir autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui.

