Willis Carrier não passaria no vestibular de Medicina UFS (com cotas), mas inventou o Ar Condicionado. Acho ser de muito mau gosto e deselegância discriminatória a atitude de algumas escolas particulares e públicas, em promoverem seus cursos através de divulgação maciça dos aprovados no curso de Medicina. Parece que as outras carreiras e ciências têm menor valor. Áreas fundamentais do conhecimento humano como a física, a matemática, a química, a filosofia, história, geografia e outras tantas, parecem ter menor importância nesse contexto mercadológico. Todos os incentivos e reconhecimentos ficam reservados para os “gênios” aprovados em Medicina; uma miopia em termos de valores reais, para Kant, tradução da nossa menoridade intelectual. Louis Pasteur era químico e foi responsável pela descoberta das bactérias, derrubou definitivamente a ideia da geração espontânea aristotélica quando provou por “a mais b” que muitas doenças eram causadas por micróbios através da sua “teoria germinal das enfermidades infecciosas”. Alexander Fleming, antes de ser médico foi botânico e farmacologista, capacitações que o levaram à descoberta da penicilina em 1929.
O físico alemão Wilhelm Roentgen nunca estudou medicina, mas em 1895 descobriu os raios X. Se o nova-iorquino Willis Carrier tivesse recebido aprovação para cursar medicina na Universidade Cornell de Nova Iorque, certamente não teria inventado o ar condicionado que nos faz suportar o calor infernal do Nordeste. Godfrey Hounsfield, engenheiro eletrônico inglês, foi o responsável pela invenção do primeiro aparelho de tomografia computadorizada. O biólogo molecular Francis Crick juntamente com o zoólogo James Watson descobriram a estrutura do DNA, a molécula da vida, e por aí vai. Não fosse um jovem matemático inglês Alan Turing, eu não estaria escrevendo minha indignação usando um computador. Somos todos igualmente importantes e sobretudo complementares.
O mundo precisa muito das inteligências médicas assim como necessita de todas as outras mentes e orientações científicas que contribuem para o progresso da humanidade. Se cabem homenagens aos jovens que foram aprovados e ora ingressam nas Universidades, que sejam igualmente extensivas a todos; entre eles podem estar um Albert Einstein, um Bill Gates, um Steve Jobs, um Villa-Lobos ou até um Alberto Santos Dumont! A visão do filósofo prussiano (alemão) Emanuel Kant resume bem a importância do saber maior quando afirmava que: “Ciência é conhecimento organizado. Sabedoria é vida organizada”. Viva os sábios, eles dão sentido à ciência!
Dr José Marcondes – é médico e membro da Sobrames Sergipe

