Há notícias que não chegam apenas como informação: chegam como confirmação de um sonho coletivo. São aquelas que silenciosamente justificam noites longas, reuniões exaustivas, relatórios minuciosos e a persistência de quem acredita que o conhecimento é, antes de tudo, um projeto de futuro. Assim foi recebida, há poucos dias, a divulgação do resultado preliminar da avaliação quadrienal da CAPES (2021–2024), que concedeu ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe (PPGCS-UFS), a nota 7 — o patamar mais elevado do sistema nacional de pós-graduação.
Para o leitor menos familiarizado com os bastidores acadêmicos, é preciso dizer: não se trata de um simples número. A avaliação da CAPES é um processo rigoroso, conduzido por pares, sustentado por dados públicos e transparentes registrados ao longo de anos na Plataforma Sucupira. Cada programa é analisado em múltiplas dimensões — ensino, internacionalização, produção de conhecimento, inovação e impacto social — numa espécie de radiografia minuciosa do seu passado recente e, sobretudo, do seu potencial de futuro. Alcançar a nota 7 significa tornar-se referência nacional e internacional, um farol para a área a que pertence.
O feito é ainda mais eloquente quando lembramos que o PPGCS-UFS já ostentava a nota 6, por si só excepcional. Avançar um degrau a mais, no contexto atual da ciência brasileira, é algo que beira o épico. Vivemos tempos de restrições orçamentárias, incertezas institucionais e escassez de políticas contínuas de fomento à pesquisa. Mesmo assim, a universidade pública resiste, cria, produz e se reinventa. E, quando o faz com excelência, precisa ser celebrada. Essa conquista não é obra do acaso, tampouco resultado isolado de talentos individuais, embora eles existam e sejam muitos. É fruto de uma construção coletiva, paciente e obstinada. Professores que orientam, pesquisam e publicam; coordenadores que conciliam liderança acadêmica com sensibilidade humana; secretários que conhecem cada detalhe burocrático como quem domina uma ciência própria; técnicos, discentes, egressos e colaboradores que formam a engrenagem invisível, mas indispensável, do sucesso. Merece destaque o trabalho corajoso e persistente dos coordenadores do Programa, professores André Barreto, Tatiana Moura e Ricardo Gurgel (ad hoc), que conduziram o PPGCS-UFS durante a quadrienal com firmeza e visão estratégica. Ao lado deles, a atuação dedicada dos secretários Érica e Elizandro, bem como o apoio fundamental dos professores Gladston e Lucindo Quintas, da Coordenação de Pós-Graduação da UFS, foi decisiva para o fechamento e a homologação de todo o processo na Plataforma Sucupira. São nomes que talvez não ocupem manchetes nacionais, mas que sustentam, com trabalho silencioso, os pilares da excelência acadêmica.
Segundo o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da UFS, Eduesley Santana, dos 62 programas avaliados na instituição, 19 elevaram suas notas e 35 mantiveram seus conceitos. Em outras palavras, mais de 90% da pós-graduação da UFS mostrou estabilidade ou crescimento em um cenário nacional marcado por critérios cada vez mais exigentes e acirrada competitividade. O dado, por si só, revela a maturidade institucional alcançada pela universidade.
Mas talvez o aspecto mais bonito dessa história seja perceber que a excelência acadêmica não se traduz apenas em artigos, indicadores ou rankings. Ela se manifesta, sobretudo, no impacto social do conhecimento produzido. Cada dissertação defendida, cada tese concluída, cada pesquisa aplicada carrega o potencial de transformar práticas de saúde, melhorar políticas públicas e, em última instância, cuidar de pessoas. A nota 7 não é um troféu para ser exibido em vitrines; é um compromisso renovado com a sociedade que sustenta a universidade pública. Há, portanto, um simbolismo especial neste momento. O que antes era ideal, hoje é realidade. O que parecia distante, agora é concreto. A UFS demonstra que é possível produzir ciência de alto nível fora dos grandes centros tradicionais, com identidade própria, compromisso regional e diálogo internacional.
Celebrar essa conquista é celebrar a universidade pública, gratuita e de qualidade. É reafirmar a crença de que o conhecimento transforma realidades, mesmo quando os ventos sopram contra. É, sobretudo, reconhecer que, quando muitos caminham juntos, o impossível perde força. Viva a UFS. Viva a ciência. Viva o futuro que se constrói, todos os dias, nas salas de aula, nos laboratórios e nos sonhos compartilhados!
Antônio Carlos Sobral Sousa – Professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação

