ROER UNHAS: O GESTO SILENCIOSO QUE PODE DESGASTAR O SEU SORRISO

Por Dr. Esdras Guimarães, dentista

ROER UNHAS COSTUMA COMEÇAR DE FORMA DISCRETA

Às vezes, aparece em um momento de ansiedade. Em outras, durante uma preocupação, uma espera, uma fase de tensão ou até em situações de concentração. A pessoa leva a mão à boca quase sem perceber e transforma aquele gesto em parte da rotina. Para muitos, parece apenas uma mania. Mas, do ponto de vista odontológico, esse comportamento merece atenção.

Os dentes não foram feitos para cortar unhas. Eles têm funções importantes: mastigar, triturar alimentos, participar da fala e compor a harmonia do sorriso. Quando passam a ser usados de maneira inadequada, repetidamente, podem sofrer consequências.

UM PEQUENO GESTO, REPETIDO TODOS OS DIAS

Na odontologia, nem sempre os problemas surgem de grandes acidentes. Muitas vezes, eles aparecem como resultado de pequenos excessos repetidos por anos.

Roer unhas pode provocar desgaste nas bordas dos dentes, pequenas fraturas, sensibilidade, sobrecarga nas restaurações e desconforto na musculatura da face. Em alguns casos, também pode contribuir para dores na articulação da mandíbula, principalmente quando está associado a apertamento dental ou tensão muscular.

Depois de mais de duas décadas acompanhando pacientes, aprendi que a boca costuma revelar muito sobre a rotina de uma pessoa. Ela mostra sinais de estresse, de descuido, de esforço excessivo e de hábitos que parecem inofensivos, mas que deixam marcas.

QUANDO A ANSIEDADE CHEGA À BOCA

Quem rói unhas nem sempre faz isso por falta de cuidado. Muitas vezes, esse gesto está ligado à ansiedade, insegurança, preocupação ou necessidade de aliviar uma tensão momentânea. Por isso, simplesmente dizer “pare com isso” nem sempre resolve. É preciso entender quando o comportamento acontece, o que ele representa e quais danos pode estar causando.

O cuidado começa quando a pessoa passa a observar o próprio corpo. Em que momentos a mão vai à boca? Durante o trabalho? Ao estudar? No trânsito? Ao usar o celular? Em períodos de maior pressão emocional?

Essa percepção é fundamental para quebrar o ciclo.

O RISCO NÃO ESTÁ APENAS NOS DENTES

Além do impacto sobre os dentes, roer unhas também pode machucar a pele ao redor dos dedos, causar ferimentos, inflamações e facilitar o contato da boca com impurezas acumuladas nas mãos.

A boca faz parte da saúde geral. Tudo o que levamos a ela influencia o equilíbrio do organismo. Por isso, esse hábito não deve ser visto apenas como uma questão estética ou comportamental.

Quando há sangramento, dor nos dedos, feridas frequentes, dentes lascados, sensibilidade, restaurações quebrando ou dor ao mastigar, é sinal de que o problema já deixou de ser apenas uma mania.

CUIDAR É MAIS DO QUE TENTAR PARAR

Abandonar esse comportamento exige consciência e estratégia. Manter as unhas aparadas, identificar os momentos de maior ansiedade, ocupar as mãos em situações de tensão e buscar apoio profissional quando necessário são atitudes que podem ajudar.

Em alguns casos, o acompanhamento psicológico também pode ser importante, principalmente quando o hábito está relacionado à ansiedade intensa ou dificuldade de controle.

Do ponto de vista odontológico, é essencial avaliar se já existem desgastes, trincas, alterações na mordida, sensibilidade ou danos em restaurações. Quanto mais cedo esses sinais são identificados, maiores são as chances de preservar a estrutura dental.

O SORRISO TAMBÉM PRECISA DE PROTEÇÃO

Dentes não são ferramentas. Não devem abrir embalagens, morder objetos ou cortar unhas. Eles fazem parte da nossa saúde, da nossa expressão e da nossa qualidade de vida.

Cuidar do sorriso não acontece apenas no consultório. Acontece todos os dias, nas escolhas simples, na higiene, na alimentação e também na forma como usamos a boca. Roer unhas pode parecer um detalhe pequeno. Mas pequenos detalhes, quando repetidos por muito tempo, podem comprometer a saúde bucal.

Para ler mais conteúdos sobre saúde bucal e sua relação com a saúde geral, consulte o blog do autor.

SOBRE O AUTOR

Dr. Esdras Guimarães é formado desde 2005 pela Universidade Tiradentes (Unit), especialista em Prótese Dentária pela Associação Brasileira de Odontologia e pós-graduado em Implantes pelo International Team for Implantology.

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Dr. Esdras Guimaraes

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