
Rio de águas calmas, porém feridas,
espelho antigo de tantas vidas.
Teu nome, canto em tupi-guarani,
guarda memórias que o tempo não exclui.
Por ti deslizavam canoas e histórias,
nos braços do vento, nas noites sem glória.
E hoje, ferido por mãos descuidadas,
ainda resistem tuas águas cansadas.
Carregas o peso de um mundo que
esquece que o que te aflige, a todos acontece.
Mesmo assim, quando o sol se despede,
teu espelho reluz, o mundo concede.
Teimoso, rio, segues a cantar,
guardando o pôr do sol no teu olhar.
E na dança das cores, tão breves, tão puras,
há um grito de esperança nas tuas fissuras.
Oh, Tramandaí, rio de bagres e mágoas,
resiste em tua essência, apesar das águas.
Que tua luta seja um grito profundo,
um reflexo de cura para todo o mundo.
Dr. José Carlos Santana – é médico cardiologista, músico, poeta e compositor. Membro da Sobrames Sergipe

