
A médica oncologista Dra. Silvia Guimarães, do Grupo Vitta, concedeu entrevista para a Revista Saúde em Dia para falar sobre a Campanha Setembro em Flor, iniciativa que busca sensibilizar a sociedade para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado integral com a saúde. Confira!
Saúde em Dia: Qual a principal mensagem e objetivo da Campanha Setembro em Flor?
Dra. Silvia Guimarães: A Campanha Setembro em Flor busca a conscientização sobre a saúde da mulher, em especial, a prevenção e o diagnóstico precoce dos cânceres ginecológicos. Tem como objetivo mobilizar a sociedade e estimular o diálogo aberto sobre autocuidado, reforçando que a detecção precoce aumenta as chances de tratamento eficaz e de cura.
Saúde em Dia: Segundo o Instituto Nacional do Câncer, mais de 30 mil mulheres são diagnosticadas, por ano, com algum tipo de câncer ginecológico. Quais são esses cânceres?
Dra. Silvia Guimarães: Os cânceres ginecológicos incluem os tumores que acometem o colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina.

Saúde em Dia: É possível pontuar sinais de alerta para os cânceres ginecológicos?
Dra. Silvia Guimarães: Alguns sintomas podem servir de alerta para os cânceres ginecológicos e não devem ser ignorados. Entre eles estão: sangramento vaginal fora do período menstrual (após a menopausa ou depois das relações sexuais); corrimento persistente com odor ou aspecto incomum; dor pélvica frequente; aumento do abdome ou sensação de inchaço constante; alterações urinárias ou intestinais sem causa aparente; além de coceira, feridas ou nódulos na região genital que não cicatrizam. Esses sinais não significam, necessariamente, a presença de um câncer, mas merecem atenção médica.
Saúde em Dia: Podemos falar em prevenção para esses principais tipos de cânceres ginecológicos? Quais medidas? Tem alguma idade de maior prevalência?
Dra. Silvia Guimarães: Sim, é possível falar em prevenção para os principais tipos de cânceres ginecológicos, especialmente, quando se combina hábitos saudáveis, vacinação e acompanhamento médico regular.
As medidas preventivas incluem:
- Vacinação contra o HPV, principal fator de risco para o câncer de colo do útero;
- Exames de rastreamento, como o Papanicolau;
- Controle do peso corporal;
- Hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
- E manter a consulta ginecológica regular.
Quando falamos em idade de maior prevalência:
- O câncer de colo do útero é mais frequentemente diagnosticado em mulheres com idade entre 35 e 44 anos, sendo que a idade média no momento do diagnóstico é aos 50 anos. Raramente se desenvolve em mulheres com menos de 20 anos;
- O câncer de endométrio geralmente ocorre em mulheres na pós-menopausa. 20% entre mulheres na faixa entre 40 e 50 anos e 5% abaixo dos 40 anos;
- O risco de câncer de ovário aumenta com a idade e metade das pacientes tem mais de 60 anos;
- Os cânceres de vulva e vagina são menos frequentes, mas também predominam em mulheres acima dos 50 anos.
Saúde em Dia: O diagnóstico precoce também é decisivo para o tratamento dos cânceres ginecológicos? Temos dados?
Dra. Silvia Guimarães: Sim. O câncer de colo do útero, quando diagnosticado em fase inicial, tem taxa de sobrevida em 5 anos que pode ultrapassar 90%.
Câncer de ovário: cerca de 70% dos casos no Brasil ainda são descobertos em estágio avançado, o que explica a taxa de sobrevida em 5 anos ser em torno de 30%–40%. Quando diagnosticado precocemente, pode chegar a 90%.
Câncer de endométrio: quando diagnosticado numa fase inicial a taxa de sobrevida em 5 anos fica acima de 80%.
Saúde em Dia: Aproveitando o espaço, vamos reforçar as informações acerca da vacina contra o HPV. Qual a orientação de Dra. Silvia?
Dra. Silvia Guimarães: A vacinação contra o HPV é a principal estratégia de prevenção do câncer de colo do útero. O SUS disponibiliza a vacina para meninos e meninas de 9 a 14 anos, pessoas imunossuprimidas – como indivíduos que vivem com HIV ou AIDS; transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea; pacientes oncológicos (de 9 a 45 anos de idade). Já no serviço privado a vacina é disponibilizada para: meninas e mulheres de 9 a 45 anos; e para meninos e homens de 9 a 45 anos.

