Lúcio Prado Dias
Médico
A mais antiga e atuante instituição representativa dos médicos de Sergipe em funcionamento comemorou, neste sábado que passou – 27 de junho – oitenta e nove anos de existência. Voltemos no tempo.
Estamos em 1937. Augusto Leite lidera o processo de fundação de uma instituição que reunisse os poucos médicos que existiam no estado àquela época. Cria, com outros colegas a Sociedade Médica de Sergipe. Havia perdido o mandato de senador com a chegada do Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas.
Sem possuir sede própria, reúne-se no Arquivo Público e no Instituto Histórico, realizando sessões científicas. Augusto se mantém por doze anos no comando da entidade, sendo substituído em 1949 por José Machado de Souza. Seu sucessor é o alienista Garcia Moreno, em 1952. Dois anos após, Machado retorna ao comando.
Nessa década de 50 a SOMESE experimenta uma das suas fases mais áureas e de enorme prestígio político. Nesse diapasão, Machado torna-se vice-governador de Leandro Maciel, que por sua vez, consegue eleger o seu sucessor: Luiz Garcia.
Machado, com o apoio decisivo de Carlos Firpo, passa o comando da SOMESE para Canuto Garcia Moreno. A partir dessa administração, consolida-se um bloco forte e consistente que comanda a medicina de Sergipe por uma década, com realizações de grande importância para o seu desenvolvimento, só para citar a fundação da Faculdade de Medicina em 1961, por Antonio Garcia Filho. Um divisor de água para a Medicina de Sergipe. Além de Secretário da Educação, Saúde e Cultura, ele está à frente da Sociedade Médica de Sergipe.
A Somese lidera também o movimento pela criação do Conselho Regional de Medicina e elege sua primeira diretoria, tendo na presidência Ávila Nabuco, no final da década de 50. Ele fica, porém, pouco tempo no cargo, menos de um ano. Com o seu falecimento, assume o vice, Antonio Garcia.
A Somese mantém-se ativa e forte, agora já sob o comando do cirurgião Fernando Sampaio. As administrações seguintes acolhem em sua sede, o Sindicato dos Médicos e a recém fundada cooperativa dos médicos – a Unimed, além das primeiras sociedades estaduais de especialidades, a Pediatria e a Ginecologia.
Gerações seguintes vão ampliando a sua sede, com novos melhoramentos. É fundado o museu médico e o Bar Bisturi, o auditório é totalmente reformado e novos habitantes surgem, parceiros importantes, a exemplo do Banco Bandeirantes.
São criados novos serviços, o Departamento de Convênios, os programas de atualização científica para médicos e de extensão para a população, o cineclube, o almoço das quintas e novos benefícios para os seus associados.
Os anos se passam céleres e novas concepções de associativismo comprometem o seu desenvolvimento, trazendo dificuldades para as gestões. Entretanto, apesar dos abalos gerenciais e dos inúmeros problemas surgidos, a Somese segue lutando, reestruturando-se e adaptando-se aos novos tempos.
Nos dias atuais, uma arrojada transformação se processa a olhos vistos, sob a liderança dos colegas Raimundo Sotero, José Sérvulo, Anselmo Mariano, Antônio Claúdio, Henrique Batista, entre outros, buscando ações mais arrojadas, entre elas o retorno de uma instituição financeira à sua sede – a Unicred – e a criação de novos espaços, com a instalação do Café Havanna, que pode se tornar um ponto forte de relacionamento nos encontros da classe.
Passados oitenta e nove anos desde a sua fundação, a Sociedade Médica notabiliza-se como referência de destaque na história da Medicina sergipana. Que venham os 90!
Lúcio Antonio Prado Dias – é membro da Academia Sergipana de Medicina e presidente nacional da Sobrames. Presidiu a Somese de 1993 a 1997, em dois mandatos.

