Os números mais recentes da Central de Regulação de Urgências (CRU) revelam um dado preocupante. Entre janeiro e junho de 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe) recebeu 4.228 trotes telefônicos. Ainda que represente uma redução em relação ao mesmo período do ano passado — quando foram contabilizados 5.200 trotes — a quantidade permanece alarmante e expõe um grave problema: a banalização de um serviço que existe para salvar vidas.
Cada ligação falsa significa tempo perdido para equipes que poderiam estar socorrendo vítimas reais. A ambulância deslocada desnecessariamente, o médico regulador envolvido em uma ocorrência inexistente, o combustível e os recursos desperdiçados — tudo isso representa não apenas prejuízo financeiro, mas sobretudo risco à vida de quem realmente precisa de atendimento imediato.
Não se trata de uma “brincadeira inofensiva”. Um trote ao Samu pode atrasar o socorro a uma criança engasgada, a um idoso infartando, a uma vítima de acidente grave. É uma conduta irresponsável que pode custar a vida de pessoas.
Se, por um lado, é positivo observar a redução de chamadas falsas, por outro, os números mostram que a conscientização da população ainda precisa avançar. Cabe às famílias, às escolas e à sociedade em geral reforçar a importância de usar o 192 de maneira responsável. É preciso entender que o Samu não é um canal de entretenimento, mas um serviço essencial de saúde pública.
Reduzir a zero os trotes pode parecer um desafio, mas deve ser encarado como meta coletiva. Cada cidadão tem o dever de respeitar o trabalho dos profissionais que atuam no Samu e, acima de tudo, de preservar o valor mais importante: a vida.

