Era uma tarde de outono em Aracaju; o sol se punha lentamente sobre a cidade, pintando o céu com tons de laranja e rosa. Sentado em meu gabinete, folheava distraidamente um velho álbum de fotografias quando me deparei com uma imagem que me transportou instantaneamente para o passado. Ali estava ela, Marlene Alves Calumby, sorrindo ao lado de seu amado esposo, José Calumby Filho, e eu, um jovem estudante de medicina de “pernas curtas”, como ela costumava brincar.

Naquele momento, fui inundado por uma onda de memórias e gratidão. Ela não era apenas uma amiga; era uma força da natureza, uma mulher que transcendia os papéis convencionais para se tornar mentora, mãe e irmã para aqueles que tinham a sorte de cruzar seu caminho.
Lembro-me vividamente do dia em que a conheci. Eu era apenas um estudante ansioso, sedento por conhecimento e oportunidades. Foi por meio de seu marido, meu mentor na cirurgia vascular, que tive o privilégio de entrar em seu círculo. Mal sabia eu que aquele encontro mudaria o curso da minha vida.
Com o passar do tempo, ela me adotou, não no sentido literal, mas de uma maneira que só alguém com um coração tão vasto quanto o seu poderia fazer. Quando chegou o momento crucial de minha especialização em cirurgia vascular na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi Marlene quem estendeu a mão, proporcionando-me os meios para sobreviver e perseguir meus sonhos.
Mulher extraordinária e multifacetada, nascida em 21 de outubro de 1950, em Aracaju, é filha de João Alves e Maria de Lourdes Gomes. Sua jornada educacional foi impressionante: do Colégio Jackson de Figueiredo ao Colégio do Patrocínio de São José, culminando em graduações em Pedagogia e Direito, além de pós-graduações em diversas áreas. Mas ela não se contentava em acumular conhecimento apenas para si; era uma disseminadora incansável de sabedoria.
Como professora, diretora e ocupante de diversos cargos públicos, deixou sua marca indelével na educação sergipana. Sua passagem pelo Conselho Estadual de Educação foi marcada por avanços significativos, incluindo a atualização do cadastro das escolas da rede pública estadual. Sua voz, que ecoava nas ondas da Fundação Aperipê, levava conhecimento e reflexão para lares em todo o estado.
Ao longo dos anos, tive o privilégio de compartilhar com ela diversos eventos na medicina. Cada um desses momentos era uma aula de vida, uma oportunidade de absorver não apenas conhecimento técnico, mas sabedoria humana. E quando, anos mais tarde, tive a honra de me tornar seu colega fundador na Academia Sergipana de Educação, senti que havia completado um ciclo. Ali estava eu, lado a lado com a mulher que um dia me acolheu como um filho.
O ápice dessa jornada compartilhada veio com minha recepção na Academia Sergipana de Letras. Com a elegância que lhe é característica, ela me recebeu nesse templo do saber, selando nossa conexão não apenas no campo da medicina, mas também no universo das letras.
Hoje, ao celebrar o aniversário desta mulher notável, não posso deixar de refletir sobre o impacto que teve em minha vida e na de tantos outros. Marlene Alves Calumby é verdadeiramente uma gigante pela própria natureza. Sua estatura não se mede em centímetros, mas na profundidade de seu conhecimento, na amplitude de seu coração e no alcance de suas ações.
Que seu exemplo continue a inspirar gerações, que sua voz – seja nas salas de aula, nos corredores do poder ou nas ondas do rádio – continue a ecoar, lembrando-nos do poder transformador da educação e do amor. Feliz aniversário, Marlene, minha amiga, irmã e mãe. Que sua luz continue a brilhar, iluminando o caminho para todos nós que temos a honra de caminhar ao seu lado.
Dr. José Aderval Aragão – cirurgião vascular, membro da Sobrames e das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação

