
Com o início do verão, Sergipe enfrenta um cenário ainda mais favorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. Segundo o diretor de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o médico infectologista Dr. Marco Aurélio Goes, as condições ambientais e climáticas do estado tornam necessário o alerta permanente.
“As altas temperaturas durante todo o ano já favorecem a multiplicação do mosquito, mas no verão, com as temperaturas ainda mais elevadas e as pancadas de chuva, o risco de transmissão aumenta. Isso ocorre porque o ciclo de transformação do ovo em inseto adulto é mais rápido em temperaturas altas. Além disso, o armazenamento de água em reservatórios, comum em algumas localidades, pode se tornar um ambiente propício para os criadouros do mosquito”, explica o médico.
Prevenção deve ser constante
Dr. Marco Aurélio reforça que as medidas de prevenção e controle das arboviroses precisam ser realizadas durante todo o ano, mas com intensificação em períodos de maior risco, como o verão. “A vigilância deve ser constante. O controle do mosquito depende de esforços contínuos, e, em determinados momentos, essas ações precisam ser ampliadas para evitar epidemias”, destaca.

Ações da Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe tem adotado medidas estratégicas para o combate ao Aedes aegypti. Entre as principais iniciativas estão:
1. Nebulização com carros fumacês: antes do início do verão, com base nos índices de infestação nos municípios, a SES intensificou a utilização de carros fumacês para a nebulização a Ultra Baixo Volume (UBV), que continuará até o início da estação das chuvas.
2. Monitoramento diário: a SES acompanha diariamente os casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika, permitindo uma análise em tempo real para identificar tendências e agir preventivamente.
3. Dia D de combate: no dia 14 de dezembro, a SES participou de uma mobilização nacional para o dia D de combate ao Aedes aegypti junto aos municípios.
4. Mobilização municipal: no final do ano passado, a Secretaria mobilizou gestores municipais para garantir que as ações de combate ao mosquito fossem contínuas, mesmo durante os feriados de fim de ano.
5. Grupo de trabalho: foi criado um grupo de trabalho para planejar e monitorar ações contra arboviroses e doenças respiratórias sazonais.
6. Plano de contingência: revisão do plano de contingência para lidar com possíveis epidemias ou surtos.
7. Treinamento de equipes: capacitação das equipes de Atenção Primária, Rede Hospitalar e de Urgência para o manejo clínico das arboviroses.
8. Fortalecimento da vigilância: intensificação das ações de vigilância epidemiológica tanto na rede pública quanto na privada.
9. Rede laboratorial: ampliação da capacidade do Lacen Sergipe para realização de testes de RT-PCR para dengue, chikungunya e zika.
10. Conscientização da população: campanhas de conscientização em mídias e redes sociais para orientar a população sobre o controle de focos no ambiente domiciliar e no trabalho.
O papel da população
A participação da população é essencial no combate ao mosquito. O médico ressalta que eliminar focos do Aedes aegypti no ambiente domiciliar é uma das formas mais eficazes de controle. “Pequenos gestos, como evitar água parada em recipientes, limpar calhas e tampar caixas d’água, podem fazer uma grande diferença na redução dos criadouros”, enfatiza.
Com o verão trazendo maiores riscos, o alerta é claro: o combate ao Aedes aegypti depende de esforços conjuntos entre poder público e sociedade. O controle do mosquito é um compromisso coletivo para proteger a saúde de todos.

