O oftalmologista Allan Luz, do Hospital de Olhos de Sergipe, reforça conscientização sobre ceratocone, condição que deforma a córnea e atinge, em média, 150 mil brasileiros.
O ceratocone é uma doença ocular progressiva que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, e provoca seu afinamento e deformação em formato de cone. A condição compromete a qualidade da visão e atinge principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Em casos avançados, pode evoluir para a necessidade de transplante de córnea.
No mês de junho, o tema ganha destaque em alusão ao Junho Violeta, campanha de conscientização sobre a doença que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a progressão do quadro.
De acordo com o oftalmologista Dr. Allan Luz, especialista em ceratocone e membro do corpo clínico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), a doença costuma surgir ainda na adolescência ou na segunda infância e pode evoluir de forma silenciosa. “O ceratocone afeta adolescentes e jovens que usam óculos desde cedo e, mesmo com aumento do grau, não conseguem boa qualidade visual. É uma condição progressiva e que exige acompanhamento”, explica.
Entre os principais sinais de alerta estão a piora progressiva da visão, aumento frequente de miopia e astigmatismo e a necessidade constante de troca de óculos. Mesmo com correção óptica atualizada, muitos pacientes continuam com visão borrada ou distorcida.
A doença geralmente afeta ambos os olhos, mas de forma assimétrica, e pode ter evolução mais rápida em pacientes com histórico familiar, alergias oculares e hábito frequente de coçar os olhos. Segundo o especialista, esse último fator é um dos principais agravantes. “Coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas aumenta processos inflamatórios e contribui diretamente para o enfraquecimento da córnea”, alerta.
JOVENS ESTÃO ENTRE OS MAIS AFETADOS
O ceratocone costuma se manifestar antes dos 18 anos, fase importante da formação escolar e profissional, o que torna o impacto da doença ainda mais significativo. “O diagnóstico tardio pode trazer consequências duradouras, afetando desempenho escolar, vida profissional e qualidade de vida”, destaca o médico.
Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone todos os anos. Durante décadas, a doença figurou entre as principais causas de transplante de córnea no Brasil, sobretudo quando não era diagnosticada e tratada precocemente.
TRATAMENTOS EVOLUEM E REDUZEM RISCO DE TRANSPLANTE
Atualmente, o avanço das técnicas médicas tem mudado esse cenário. Entre os principais tratamentos estão o crosslinking de colágeno, que fortalece a córnea e impede a progressão da doença, e os implantes de anéis intracorneanos, que ajudam a remodelar a estrutura e melhorar a visão.
“O crosslinking, desenvolvido no fim da década de 1990 e amplamente utilizado a partir dos anos 2000, mudou a história natural da doença. Hoje conseguimos estabilizar muitos casos e evitar a progressão para estágios mais graves”, explica o especialista.
O médico reforça que lentes de contato não tratam o ceratocone, mas fazem parte da reabilitação visual. “Elas ajudam na qualidade da visão, mas não interferem na evolução da doença”, ressalta.
DIAGNÓSTICO PRECOCE É FATOR DECISIVO
A principal mensagem do Junho Violeta é a importância da identificação precoce da doença, que permite iniciar o tratamento antes da progressão do quadro. “Quando diagnosticado cedo, conseguimos estabilizar o ceratocone e preservar a visão, evitando a necessidade de transplante de córnea”, conclui o oftalmologista.

