NOVO MEDICAMENTO NÃO HORMONAL AMPLIA OPÇÕES PARA TRATAMENTO DOS SINTOMAS DA MENOPAUSA

Nova medicação age no sistema de regulação da temperatura corporal e pode beneficiar mulheres que não podem ou não desejam realizar terapia de reposição hormonal.

A aprovação do fezolinetanto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) representa um importante avanço no tratamento dos sintomas da menopausa no Brasil. A nova medicação surge como uma alternativa não hormonal para mulheres que sofrem com fogachos (ondas de calor) e suores noturnos intensos, oferecendo uma opção especialmente relevante para aquelas que não podem ou não desejam fazer terapia de reposição hormonal.

De acordo com a ginecologista Dra. Elaine Ângelo, o fezolinetanto atua de forma inovadora ao bloquear seletivamente os receptores da neurocinina B (NK3) no cérebro, responsáveis pela regulação da temperatura corporal. “Durante a menopausa, a queda do estrogênio altera esse sistema de controle térmico, favorecendo o surgimento dos fogachos. O medicamento ajuda a restabelecer esse equilíbrio sem realizar reposição hormonal”, explica.

A principal indicação do medicamento é para mulheres que apresentam sintomas vasomotores moderados a intensos, como ondas de calor, vermelhidão e sudorese noturna, manifestações que frequentemente comprometem o sono, o desempenho no trabalho e a qualidade de vida.

Segundo a especialista, a chegada da nova medicação amplia as possibilidades terapêuticas. “Muitas mulheres possuem contraindicações à terapia hormonal ou simplesmente preferem não utilizá-la. O fezolinetanto oferece uma nova alternativa baseada em um mecanismo de ação completamente diferente”, destaca.

A ginecologista ressalta que o tratamento pode beneficiar principalmente mulheres com fogachos intensos, aquelas que apresentam contraindicações ao uso de hormônios ou que buscam um tratamento mais individualizado. No entanto, ela alerta que a indicação deve ser feita sempre após avaliação médica, levando em consideração o histórico clínico de cada paciente.

Embora os estudos clínicos apontem que os efeitos adversos sejam, em geral, leves ou moderados — como dor de cabeça, náuseas, alterações do sono e, em alguns casos, elevação das enzimas hepáticas —, Dra. Elaine reforça a importância do acompanhamento médico durante o tratamento.

Para mulheres com histórico de câncer de mama, o medicamento também pode representar uma possibilidade terapêutica, por não ser hormonal. Entretanto, a médica enfatiza que cada caso deve ser analisado individualmente, considerando o tipo de câncer, os tratamentos realizados e a condição clínica atual da paciente.

Os benefícios do fezolinetanto podem começar a ser percebidos nas primeiras semanas de uso, embora a resposta varie de mulher para mulher. Atualmente, a medicação é indicada especificamente para o controle dos sintomas vasomotores, não substituindo tratamentos voltados para outras manifestações da menopausa, como ressecamento vaginal, alterações urinárias, perda óssea ou mudanças metabólicas.

Para Dra. Elaine Ângelo, a aprovação do medicamento representa um avanço significativo na assistência à saúde feminina. “É um importante passo porque reforça que a menopausa deve ser tratada de forma individualizada. Os fogachos podem comprometer o sono, o humor, a concentração, a produtividade e o bem-estar. Ter mais uma opção terapêutica nos permite oferecer um cuidado mais personalizado às pacientes”, afirma.

Diferentemente da terapia hormonal tradicional, que busca compensar a redução dos níveis de estrogênio característica da menopausa, o fezolinetanto age diretamente no sistema nervoso central, sem alterar os níveis hormonais da paciente.

A especialista lembra ainda que o tratamento da menopausa vai além do uso de medicamentos. A prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força, alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do estresse, manutenção do peso adequado, além de evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, são hábitos que contribuem para reduzir os sintomas e promover mais qualidade de vida.

Ao final, Dra. Elaine deixa um importante recado às mulheres que enfrentam essa fase. “A menopausa é um processo natural, mas isso não significa que a mulher precise conviver com sintomas que prejudicam sua qualidade de vida. Hoje existem diferentes opções de tratamento, e a melhor escolha deve ser feita de forma individualizada, sempre com orientação de um profissional capacitado”, conclui.

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