MÉDICO ALERTA PARA OS CUIDADOS COM A LAVAGEM NASAL APÓS REPERCUSSÃO DE CASO RECENTE

Procedimento cada vez mais popular, lavagem nasal requer atenção para evitar riscos.

Cada vez mais presente na rotina de crianças e adultos, a lavagem nasal se consolidou como uma importante ferramenta para aliviar a congestão, melhorar a respiração e auxiliar no tratamento de doenças das vias aéreas superiores.

No entanto, apesar de ser um procedimento simples, sua realização exige técnica adequada, escolha correta da solução e cuidados com a higiene dos dispositivos utilizados.

A internação do apresentador e radialista cearense João Inácio Jr., diagnosticado com uma mastoidite bilateral grave, trouxe à tona os riscos que essa prática sem orientação pode causar.

Segundo o médico otorrinolaringologista Dr. Daniel D’Ávila, a irrigação nasal com solução salina oferece benefícios comprovados, principalmente para pacientes com rinossinusite crônica e rinite alérgica. Estudos também demonstram resultados positivos em casos de rinossinusite aguda bacteriana e infecções respiratórias superiores. Porém, é importante adotar as medidas corretas.

Entre os erros mais frequentes observados pelo especialista está o uso de água da torneira para preparar a solução.

“A água da torneira não é estéril e pode conter micro-organismos potencialmente perigosos. O recomendado é utilizar soro fisiológico 0,9% ou água destilada, engarrafada, filtrada por microfiltração ou fervida por alguns minutos e resfriada antes da utilização”, orienta.

A pressão aplicada durante a irrigação também merece atenção. Apertar excessivamente a seringa ou a garrafinha pode fazer com que o líquido seja direcionado ao ouvido.

Da mesma forma, manter a cabeça em posição inadequada ou respirar pelo nariz durante o procedimento aumenta o risco de engasgos e desconfortos.

Além da técnica, a higienização dos dispositivos é fundamental. Após cada uso, seringas, frascos e irrigadores devem ser lavados com água e sabão neutro e deixados secar completamente ao ar livre.

Conforme recomenda a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), esses equipamentos devem ser substituídos, preferencialmente, a cada três meses.

“Olhar para cima ou inclinar a cabeça muito para trás faz com que a água desça direto para a garganta, provocando engasgo. O correto é inclinar o tronco para a frente sobre a pia, abaixe o queixo levemente em direção ao peito e incline a cabeça um pouco para o lado oposto da narina que vai receber a lavagem”, orienta o médico.

O volume da solução também varia conforme a idade. Em recém-nascidos e bebês são utilizados pequenos volumes apenas para hidratar e fluidificar as secreções. Já em crianças maiores e adultos, a quantidade pode ser significativamente maior, sempre respeitando a tolerância do paciente e a orientação médica.

BENEFÍCIOS DA PRÁTICA CORRETA

O médico ressalta que existem diferentes formas de realizar a lavagem nasal, como sprays, jatos contínuos, seringas e as populares garrafinhas de irrigação.

O procedimento pode ser feito com baixo ou alto volume de solução, sendo este último caracterizado pelo uso de mais de 60 mililitros por narina.

“Nosso nariz funciona como um filtro natural do ar. A lavagem nasal ajuda a remover secreções, poeira, alérgenos, poluentes e outros agentes irritantes, mantendo esse sistema de defesa funcionando adequadamente”, explica o especialista.

Embora seja considerada segura para crianças, adultos, gestantes e idosos, Dr. Daniel destaca que cada paciente deve ser avaliado individualmente para definir o dispositivo e o volume mais indicados.

Em pessoas com congestão nasal intensa ou infecção de ouvido, por exemplo, a irrigação de alto volume deve ser utilizada com bastante cautela ou até mesmo evitada.

Outro ponto de atenção é a forma como a lavagem é realizada. Quando a técnica está incorreta, podem surgir desconfortos como ardência, irritação nasal, sangramentos, náuseas e sensação de ouvido tampado. Em algumas situações, o líquido pode atingir a tuba auditiva e favorecer o desenvolvimento de uma otite.

“A falta de limpeza regular dos dispositivos de irrigação pode levar ao acúmulo de bactérias e formação de biofilme, aumentando o risco de infecções bacterianas secundárias”, alerta Dr. Daniel D’Ávila.

De acordo com Dr. Daniel D’Ávila, a lavagem nasal pode ser realizada regularmente e, em pacientes com rinossinusite crônica ou rinite alérgica, pode integrar o tratamento de longo prazo, sem causar prejuízos à mucosa quando feita corretamente.

Além de melhorar a limpeza natural do nariz, o procedimento favorece a remoção de mediadores inflamatórios e contribui para o funcionamento adequado do sistema mucociliar.

“A lavagem nasal pode ser realizada regularmente, com estudos avaliando uso diário por períodos de até 7 semanas sem evidência de dano à mucosa. Em condições crônicas como rinossinusite crônica e rinite alérgica, a lavagem pode ser mantida como terapia de longo prazo. A lavagem nasal não apenas é segura para uso frequente, como também demonstra efeitos benéficos na mucosa, incluindo melhora da depuração mucociliar e remoção de mediadores inflamatórios”, disse.

Nas crises alérgicas, a técnica pode ser utilizada isoladamente ou em conjunto com medicamentos prescritos pelo médico.

Já nos casos de gripes e resfriados, embora as evidências científicas sobre prevenção ainda sejam limitadas, muitos pacientes relatam melhora importante da congestão nasal e maior conforto respiratório.

O especialista alerta, entretanto, que a lavagem nasal não substitui o tratamento medicamentoso nem a avaliação do otorrinolaringologista em casos como sinusite bacteriana, rinite alérgica intensa, desvio de septo, rinossinusite crônica, pólipos nasais, sangramentos recorrentes ou dor persistente no ouvido.

Também é importante interromper imediatamente o procedimento e procurar atendimento médico caso ocorram dor intensa ou sensação persistente de pressão nos ouvidos, sangramento nasal importante, ardência intensa, dificuldade para respirar ou crises de tosse durante a irrigação.

“Com certeza, isso não é normal E na maioria das vezes quando isso ocorre, tem muita relação com a técnica inadequada de lavagem nasal. Algumas vezes, durante a lavagem, a pessoa pode sentir um leve desconforto, tipo pressão ou tampamento leve nos ouvidos. Mas esse desconforto deve ser passageiro e durar alguns segundos ou minutos”, disse Dr. Daniel D’Ávila.

Quando realizada com a técnica correta, utilizando solução apropriada, água segura, pressão suave e equipamentos devidamente higienizados, a lavagem nasal é uma excelente aliada da saúde respiratória.

Mas é fundamental lembrar que cada paciente possui características próprias e, sempre que houver dúvidas ou sintomas persistentes, a avaliação de um otorrinolaringologista é indispensável.

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