Publicidade Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos

Vacinas infantis ficam abaixo da meta e acendem alerta em Sergipe

Pé de bebê recém-nascido com pulseira de identificação
Baixa cobertura vacinal pode aumentar casos de doenças graves em crianças. Foto: Freepik

O número de vacinas que não atingiram a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde tem sido motivo de preocupação para a classe médica em Sergipe, devido aos riscos à saúde pública. Apesar de um leve crescimento na cobertura do calendário básico para crianças menores de um ano entre 2023 e 2024, os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) indicam que, das nove vacinas disponíveis para essa faixa etária, apenas duas atingiram essa meta, que é de 95% em quase todas.

A baixa adesão preocupa principalmente porque os bebês estão mais vulneráveis a doenças imunopreveníveis, e as doses seguem disponíveis gratuitamente em unidades de saúde por todo o estado. O pediatra Dr. Luciano Lima Franco atribui essa situação a fatores como a disseminação de fake news sobre imunizantes, especialmente durante a pandemia da Covid-19, e ao enfraquecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no período.

Pediatra Luciano Lima Franco com bebê no colo em consultório
Pediatra Dr. Luciano Lima Franco

“O desestímulo à vacinação contra a Covid-19 não afetou apenas essa vacina, mas também outras, como a da coqueluche. Um exemplo preocupante é a pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite, Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B. Ela deveria ter 95% de cobertura, mas atingiu apenas 90,14%”, destaca o médico. Ele lembra que a coqueluche, antes comum no Brasil, foi praticamente erradicada graças à vacinação, mas a queda na cobertura pode representar um risco de reintrodução da doença.

Os números da SES apontam a vacina contra a Covid-19 como a de menor cobertura entre os imunizantes infantis, com apenas 5,86% das doses aplicadas até 1º de dezembro de 2024. Outras vacinas também preocupam: a de febre amarela alcançou 72,42% e a de rotavírus 88,75%. Já entre as vacinas indicadas para crianças de um ano, apenas a tríplice viral D1 atingiu a meta do Ministério da Saúde. Todas as cinco doses de reforço para diferentes imunizantes também estão abaixo do ideal.

O perigo da desinformação

Segundo Dr. Luciano Lima Franco, os efeitos adversos das vacinas são extremamente raros, com um nível de segurança superior a 99%. Ele alerta que a disseminação de notícias falsas sobre imunizantes é um dos principais desafios para aumentar a cobertura vacinal. “Essas fake news assustam muitas pessoas que não têm acesso a informações confiáveis. É fundamental retomar campanhas educativas permanentes para esclarecer e incentivar a vacinação”, afirma.

O alerta do especialista ganha ainda mais relevância com a aproximação do período crítico da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que afeta principalmente crianças entre março e julho. Para ele, manter a caderneta de vacinação atualizada é essencial para prevenir complicações e internações hospitalares.

Estratégias para ampliar a vacinação

A gerente de Imunização da SES, Ilani Paulina, afirma que o órgão tem reforçado ações para melhorar a cobertura vacinal no estado. “Estamos monitorando de perto a situação e apoiando os municípios com novas estratégias. Entre as iniciativas estão capacitações para os profissionais da Atenção Primária à Saúde e campanhas de conscientização para incentivar a vacinação”, explica. Uma das estratégias utilizadas em 2024 foi o microplanejamento, uma ferramenta que ajuda a definir ações específicas para cada município, levando em conta suas características e necessidades regionais. Além disso, a SES tem investido em uma comunicação mais acessível e segura, desmistificando as fake news e explicando à população os benefícios de cada imunizante.

Gerente de Imunização da SES, Ilani Paulina
Gerente de Imunização da SES, Ilani Paulina

“A vacinação de qualidade é um compromisso da SES, e seguimos atuando junto aos municípios para melhorar os índices. A conscientização da população é fundamental para garantir a proteção coletiva e evitar o retorno de doenças já controladas”, conclui Ilani.

Com a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e combater a desinformação, especialistas reforçam o pedido para que pais e responsáveis levem as crianças aos postos de vacinação e garantam a imunização adequada. Afinal, vacinar é um ato de proteção individual e coletiva.

Publicidade Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos