
Você já sentiu aquela incômoda sensação de não conseguir puxar todo o ar? A dificuldade para respirar, também conhecida como dispneia, pode ter diversas origens — nem sempre relacionadas diretamente aos pulmões. De condições respiratórias, como asma e bronquite, a doenças cardíacas, distúrbios musculares, refluxo gastroesofágico, obesidade ou até mesmo crises de ansiedade, o sintoma merece atenção.
Segundo o médico pneumologista Dr. George Amado, a falta de ar não deve ser ignorada. “É sempre importante investigar o sintoma com cuidado, pois ele pode ser um sinal de que algo no corpo não está funcionando bem. O coração e os pulmões trabalham em conjunto, e quando o coração não bombeia o sangue de forma eficaz — como ocorre na insuficiência cardíaca — o corpo pode reagir com falta de ar. Por isso, avalio as duas áreas quando o paciente apresenta esse sintoma”, explica o especialista.
Em alguns casos, o refluxo gástrico também pode ser o vilão. Isso porque o conteúdo ácido do estômago pode atingir as vias aéreas por microaspiração, irritando os brônquios e o tecido pulmonar. Resultado: tosse, pigarro e sensação de falta de ar. “Controlar o refluxo pode melhorar significativamente a respiração”, comenta o médico.
Outro fator importante a ser considerado é a saúde emocional. “Em momentos de estresse emocional ou ansiedade intensa, o corpo entra em um estado de alerta e altera o padrão da respiração, o que pode gerar a sensação de falta de ar. No entanto, nem toda falta de ar é causada por ansiedade. É fundamental descartar causas respiratórias ou cardíacas antes de atribuir o sintoma a algo emocional. Falta de ar psicogênica é um diagnóstico de exclusão”, alerta Dr. George Amado.
Quando a falta de ar é um sinal de alerta?

De acordo com o pneumologista, é preciso buscar atendimento médico com urgência quando a falta de ar surge subitamente, piora com o tempo, ou vem acompanhada de outros sintomas como dor no peito, tontura, lábios arroxeados ou sensação de desmaio. Mesmo os casos mais leves, se persistentes, devem ser investigados com uma avaliação pneumológica.
O diagnóstico começa com uma boa anamnese e exame físico. Exames como espirometria (que avalia a função pulmonar), radiografia ou tomografia de tórax e, em alguns casos, exames de sangue ou ecocardiograma são recursos utilizados conforme a suspeita clínica.
Clima seco pode piorar os sintomas
O ambiente também pode influenciar. Segundo o especialista, o ar seco pode irritar as vias respiratórias, especialmente em pessoas com doenças pulmonares ou alergias. Isso pode provocar tosse, desconforto ao respirar e até piora da sensação de falta de ar. A recomendação é manter-se bem hidratado, evitar poeira e, se possível, usar umidificadores.
Técnicas respiratórias ajudam, mas não substituem o médico
Algumas técnicas simples podem ajudar a aliviar a sensação de falta de ar, como a respiração diafragmática (abdominal) e a respiração com os lábios semiabertos — como se estivesse assoprando uma vela. “Essas técnicas são seguras e úteis, especialmente em momentos de ansiedade, mas não substituem a avaliação médica. É fundamental entender a causa do sintoma para tratar corretamente”, finaliza Dr. George Amado.

