Merece aplausos, a clarividência e a fidalguia do governador Fábio Mitidieri e do secretário de Estado da saúde, Cláudio Mitidieri, por prestarem tributo a um dos mais reconhecidos cardiologistas sergipanos, Dr. José Augusto Soares Barreto, dando o seu nome ao recém-instalado Centro de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Dr. José Augusto nasceu em Nossa Senhora do Socorro, fez o curso ginasial no Colégio Salesiano, em Aracaju e o científico, no Colégio Maristas, em Salvador. Foi graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, primaz do Brasil, onde conheceu, o afamado Professor Adriano Pondé, seu mentor e o principal responsável pela sua decisão de optar pela Cardiologia como especialidade. Ao retornar para Aracaju, foi convidado pelo ínclito cirurgião, Dr. Augusto César Leite, para “morar” no Hospital Cirurgia, trabalhando, diuturnamente, como clínico. Foi, literalmente, o primeiro médico Residente do nosso estado. Possuidor do espírito desbravador dos pioneiros, o jovem médico desempenhou, com destaque, várias funções, inclusive administrativas, sendo a ele creditado a implantação da primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Sergipe, que, atualmente, leva o seu nome. Inquieto e sedento por conhecimentos, o Dr. José Augusto, frequentou, em 1955, o disputado curso de aperfeiçoamento em cardiologia, com o renomado Prof. Decourt, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em 1958, passou uma temporada de treinamento na Michigan University, nos Estados Unidos. Retornou à terra do Tio Sam, em 1965, desta vez para realizar “fellowship” de um ano, na Brown University, na cidade de Providence, Rhode Island.
Dr. José Augusto participou, no início da década de 60, da criação da Faculdade de Medicina de Sergipe, sendo, desde o início, um professor dedicado e aclamado pelos alunos, sendo inclusive, credor da mais alta distinção do corpo discente, a do paraninfado. Foi, também, diretor daquele colegiado, num testemunho eloquente da confiança de seus pares e no reconhecimento pelas alturas em que elevou o nome da nossa Faculdade. Se destacou, ainda, como exímio empreendedor; juntamente com o cunhado Dietrich Todt, nos brindou, em 1969, com a fundação da Clínica São Lucas e, em 1978, inauguraram o Hospital São Lucas, referência em saúde, no estado.
Vale aqui ressaltar que o professor José Augusto foi quem mais me influenciou a abraçar a Cardiologia, talvez por ter sido colega de sua primogênita, a brilhante Maria Tereza, durante toda a nossa formação estudantil e acadêmica, sendo particularmente forte o convívio durante o ano de preparação para o Exame Vestibular. Sobre o luminar mestre, transcrevo o que disse no meu discurso de posse na Academia Sergipana de Medicina, solenidade em que o tive como recipiendário: “Vejo no nobre paraninfo a figura do mestre, do médico e do amigo; quer nas lições ministradas dentro do melhor sabor da ciência contemporânea, repassadas de inteligência e simplicidade, quer nas atividades clínico-cardiológicas, de um profissional arguto, seguro nos diagnósticos e moderado nas prescrições terapêuticas, quer nas atitudes de caráter inabalável, no gesto amigo de solidariedade e na beleza de sua educação refinada, atributos de que devem se orgulhar sua esposa, filhos e netos”.
O Prof. José Augusto deixou, portanto, o legado de simplicidade, de cumprimento do dever, de disponibilidade para servir; de dedicação ao estudo, de pragmatismo por excelência e de empreendedorismo. O Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Barreto, seguramente, contribuirá para minorar o sofrimento de parcela significativa da nossa população, que depende, exclusivamente, do Sistema Único de Saúde (SUS), para o diagnóstico e o tratamento de inúmeras cardiopatias. Segundo o também saudoso Prof. Walter Cardoso, “O médico é o servidor da vida, o missionário da bondade. Tem nas mãos o maior privilégio: praticar o humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade”.
Antônio Carlos Sobral Sousa – é professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras, de Educação, Estanciana de Letras e Riachuelense de Letras, Ciências e Artes, e membro da Sobrames Sergipe

