
Fibrilação atrial e outras doenças cardíacas podem favorecer a formação de coágulos que chegam ao cérebro; inovações no tratamento e controle rigoroso são fundamentais para prevenir complicações
São Paulo, outubro de 2026 – O acidente vascular cerebral (AVC) continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. Só no Brasil, é registrada uma a cada seis minutos. Embora o problema, conhecido popularmente como “derrame”, seja imediatamente associado ao cérebro, o ponto de partida de muitos episódios está em outro órgão vital: o coração. O Dia Mundial do AVC (29/10) busca conscientizar a população sobre esse risco silencioso, promover o cuidado e ajudar a reconhecer os sinais de alerta.
De acordo com o Dr. Elton Scuro, cardiologista do Hcor, cerca de 87% dos AVCs são do tipo isquêmico, causados pela obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro. Os 13% restantes são hemorrágicos, oriundos do rompimento de um vaso. “O grande alerta, no entanto, é para o ‘cardioembolismo’, formação de um coágulo dentro do coração que se desprende e viaja até entupir uma artéria cerebral”, revela o especialista.
As causas cardíacas são responsáveis por cerca de 30% de todos os AVCs isquêmicos e por quase metade dos casos ‘criptogênicos’, que são aqueles sem causa aparente. Quando todos os mecanismos são somados, o coração se revela a origem mais comum do problema. “Quando o AVC tem origem cardíaca, costuma ser mais grave, pois o coágulo tende a ser maior e a obstruir artérias mais importantes do cérebro”, alerta.
Entre as principais condições que disparam esse processo estão o infarto do miocárdio recente, que pode enfraquecer a contração do coração; doenças nas válvulas cardíacas; e infecções como a endocardite. No entanto, o maior sinal de alerta vai para uma arritmia específica. “A fibrilação atrial é a condição cardíaca mais associada ao AVC. Trata-se de um batimento cardíaco irregular e geralmente acelerado, que faz o sangue ‘estagnar’ dentro do átrio e formar coágulos”, explica.
Inovações no tratamento e prevenção
O tratamento preventivo do AVC para quem tem doença cardiovascular baseia-se fortemente no uso de anticoagulantes, medicamentos que “afinam” o sangue. “Atualmente, a medicina dispõe dos anticoagulantes orais diretos, que são mais práticos, não exigem exames de sangue frequentes e reduzem o risco de AVC em cerca de 19%, além de diminuírem o risco de sangramento cerebral em cerca de 51% quando comparados à antiga varfarina. No entanto, a varfarina ainda é indispensável para pacientes com próteses valvares mecânicas ou doença reumática da válvula mitral”, pondera.
A tecnologia, no entanto, abriu novas portas. O Dr. Elton Scuro ressalta que duas novas frentes de tratamento têm ganhado destaque no controle da fibrilação atrial e na prevenção do derrame. “Hoje, além dos remédios, temos técnicas minimamente invasivas, como a ablação por cateter, que cauteriza pequenas áreas do coração responsáveis por disparar a arritmia, e o fechamento do apêndice atrial esquerdo. Esse último procedimento veda de forma definitiva uma pequena ‘bolsa’ do coração onde 90% dos coágulos se formam, sendo uma excelente opção para pacientes de alto risco de AVC que não podem usar anticoagulantes a longo prazo”, pontua o cardiologista.
O perigo do colesterol elevado
Além da origem cardíaca, outra causa muito importante do AVC isquêmico é o acúmulo de placas de gordura (colesterol) nas paredes das artérias, processo chamado de aterosclerose. Essas placas costumam se formar principalmente na carótida, artéria do pescoço que leva sangue ao cérebro, e também em vasos intracranianos.
“Com o tempo, a placa pode se romper ou sofrer um pequeno desgaste em sua superfície, expondo seu conteúdo ao sangue e formando um coágulo no próprio local, que pode tanto entupir a artéria onde se formou quanto se soltar e viajar até obstruir um vaso cerebral menor, mecanismo semelhante ao que ocorre no infarto do coração”, revela o médico.
Cada minuto conta
O cuidado integral com o coração é o melhor escudo contra o derrame cerebral. O controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, atrelado ao abandono do tabagismo, são essenciais. Além disso, sinais como palpitações, batimentos cardíacos irregulares ou falta de ar não devem ser ignorados e merecem avaliação médica imediata.
“O AVC muitas vezes pode ser prevenido. Para quem já tem doença cardíaca, o uso correto e contínuo da medicação prescrita é a forma mais eficaz de proteção. Mas, diante de sintomas súbitos como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio da boca ou perda de equilíbrio, a orientação é buscar atendimento médico de emergência imediatamente. No AVC, cada minuto conta”, conclui o Dr. Scuro.
Sobre o Hcor
O Hcor atua em mais de 50 especialidades médicas, entre elas Cardiologia, Oncologia, Neurologia e Ortopedia, além de oferecer um centro próprio de Medicina Diagnóstica. Possui Acreditação pela Joint Commission International (JCI) e diversas certificações nacionais e internacionais. Em 2025, foi reconhecido como um dos melhores hospitais do mundo pelo ranking da Revista Newsweek, ficando em 5º lugar no Brasil.
Desde 2008, é parceiro do Ministério da Saúde no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o que proporciona que seu impacto em saúde esteja presente em todas as regiões do país.
Instituição filantrópica, o Hcor iniciou suas atividades em 1976, tendo como mantenedora a centenária Associação Beneficente Síria, que também conduz projetos gratuitos de saúde para população em situação de vulnerabilidade. Além do escopo médico-assistencial, o hospital conta com o Hcor Clinical Research, reconhecido internacionalmente, que coordena estudos clínicos multicêntricos com publicações nos mais conceituados periódicos científicos. Conjuntamente, capacita milhares de profissionais anualmente por meio do Hcor Academy com seus cursos de pós-graduação, cursos de atualização e programas de residência e aprimoramento médico. Hcor Consultoria e Gestão oferece soluções personalizadas, com diagnóstico e metodologia focada em alta performance, para negócios em saúde.

