A meningite é uma doença que exige atenção aos primeiros sintomas, principalmente devido à possibilidade de evolução rápida e de complicações graves. Em entrevista, o médico infectologista Dr. Matheus Todt alerta para a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e da busca imediata por atendimento médico diante de sinais suspeitos.
A doença é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Segundo o especialista, as causas podem ser diversas, mas as principais são infecciosas, especialmente por vírus e bactérias. A gravidade depende do agente causador, sendo as formas bacterianas geralmente mais preocupantes por seu potencial de evolução rápida e risco de morte.
Sintomas podem evoluir em poucas horas
Os primeiros sinais da meningite incluem febre, mal-estar, náuseas e vômitos. Com a evolução do quadro, podem surgir dor de cabeça, rigidez na nuca, confusão mental, sonolência e manchas na pele.
De acordo com o Dr. Matheus Todt, enquanto algumas meningites virais evoluem ao longo de três a cinco dias, as formas bacterianas podem se agravar em poucas horas.
“Todo quadro suspeito de meningite deve ser avaliado pelo médico”, ressalta o infectologista. Febre alta persistente, sonolência intensa, convulsões e outros sintomas de evolução rápida exigem atenção imediata.
A transmissão ocorre, geralmente, de pessoa para pessoa, por meio de secreções respiratórias, dependendo do agente causador. Algumas meningites virais também podem ser transmitidas pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Crianças menores de cinco anos, especialmente as não vacinadas, idosos e pessoas com comprometimento da imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.
Sergipe registra 32 casos em 2026
Dados oficiais do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), da Secretaria de Estado da Saúde (SES), apontam estabilidade no comportamento epidemiológico da meningite em Sergipe nos últimos anos. Até 22 de setembro de 2026, foram notificados 32 casos.
Confira os registros anuais:
- 2022: 43 casos
- 2023: 35 casos
- 2024: 47 casos
- 2025: 48 casos
- 2026: 32 casos, até 22 de setembro
De acordo com o diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, os números parciais de 2026 permanecem dentro do padrão observado nos anos anteriores, sem indicativo de surto ou aumento atípico no total de notificações.
“A meningite não é uma doença única. Além de bactérias e vírus, o processo inflamatório pode ser provocado por fungos e parasitas, o que reforça a importância da investigação adequada de cada caso. Entre as causas bacterianas identificadas no estado, a doença pneumocócica, provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, apresenta o maior número de registros informado pela Vigilância em Saúde. Foram contabilizados 15 casos em 2026, até setembro, contra nove em 2025, 13 em 2024, nove em 2023 e dez em 2022”, disse Marco Aurélio.
Diagnóstico e possíveis sequelas
O diagnóstico da meningite envolve avaliação clínica e exames específicos. Segundo o infectologista, um dos principais procedimentos é a coleta do líquido cefalorraquidiano, conhecido como líquor, para análise laboratorial. O material é obtido por meio de uma punção lombar, procedimento realizado por profissionais de saúde capacitados, conforme a avaliação médica.

A doença pode provocar complicações graves, como alterações neurológicas, surdez, insuficiência renal e, em situações específicas, amputação de membros. O óbito é a consequência mais grave.
Ter apresentado meningite anteriormente também não garante proteção contra todas as formas da doença. A imunidade desenvolvida depende do agente causador, e uma pessoa pode ser infectada por outros microrganismos capazes de provocar meningite.

Vacinação é fundamental para a prevenção
A vacinação é uma das principais estratégias para prevenir formas graves de meningite. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Sistema Único de Saúde (SUS), disponibiliza vacinas que protegem contra diferentes agentes causadores da doença. Entre elas estão a BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, inclusive a meningite tuberculosa; a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib); as vacinas meningocócicas; e as pneumocócicas.
“O calendário infantil inclui doses nos primeiros meses de vida e reforços conforme a vacina utilizada. O esquema deve seguir as recomendações vigentes do Ministério da Saúde, considerando a idade, o histórico vacinal e as vacinas disponíveis. Adolescentes e adultos também podem ter indicações específicas, de acordo com o calendário e as condições individuais”, orienta o Dr. Matheus Todt.
Além da imunização, o diretor de Vigilância em Saúde da SES orienta a adoção de medidas de higiene e etiqueta respiratória para reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos. Entre as recomendações estão manter os ambientes ventilados, lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou utilizar álcool em gel a 70%, não compartilhar copos, talheres e garrafas e evitar aglomerações em locais fechados quando houver sintomas respiratórios.
“A orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde diante de febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, confusão mental ou manchas avermelhadas na pele. O reconhecimento dos sinais e o atendimento precoce são fundamentais para o diagnóstico e o início do tratamento adequado”, finaliza.

