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Natação e cloro: pneumologista alerta para os riscos respiratórios

Criança de óculos de natação nada em piscina
Especialista explica quem é mais vulnerável ao cloro e como praticar natação com segurança. Foto: Freepik

Presente em praticamente todas as piscinas, o cloro é fundamental para a desinfecção da água, mas também pode representar riscos à saúde respiratória quando inalado em excesso. O médico pneumologista Dr. George Amado explica que quem tem asma, rinite, bronquite ou DPOC é mais vulnerável ao cloro da piscina, assim como as crianças. Mas, calma! Segundo o especialista, dá para reduzir os efeitos do cloro sem abrir mão da natação. Acompanhe na entrevista.

Dr. George Amado, pneumologista
Dr. George Amado, pneumologista. Foto: Divulgação

Saúde em Dia: O cloro das piscinas pode causar ou piorar problemas respiratórios? Como isso acontece?

Dr. George Amado: O cloro, por si só, não “cria” asma ou rinite. Mas, dentro da piscina, ele reage com suor, urina e resíduos orgânicos da água e forma gases chamados cloraminas. Essas substâncias irritam o nariz, a garganta e os pulmões. Em pessoas com as vias aéreas já sensíveis — como quem tem asma ou rinite — essa irritação pode desencadear tosse, chiado e falta de ar. Não existe comprovação forte de que o cloro cause asma em quem nunca teria a doença, mas há sim associação clara de piora dos sintomas em pessoas suscetíveis, principalmente em piscinas fechadas e mal ventiladas.

O cheiro forte de cloro pode irritar as vias aéreas mesmo em quem não tem doença respiratória?

Pode, sim. Mesmo pessoas sem asma ou rinite podem apresentar:

  • ardor no nariz
  • tosse seca
  • irritação na garganta

Isso acontece porque as cloraminas são irritantes químicos. Na maioria dos indivíduos saudáveis, os sintomas são leves e passageiros. Mas o corpo está avisando que houve agressão às mucosas respiratórias.

Quem tem asma, rinite, bronquite ou DPOC é mais vulnerável ao cloro da piscina?

Sim. Essas pessoas já têm vias aéreas inflamadas ou mais reativas. Quando entram em contato com gases irritantes, como as cloraminas, o pulmão responde de forma mais intensa:

  • aumento da inflamação
  • broncoespasmo
  • piora do controle da doença

Por isso, o mesmo ambiente que não causa nada em uma pessoa saudável pode provocar sintomas importantes em quem já tem doença respiratória.

Crianças e idosos correm mais risco?

Crianças, sim — principalmente. Elas:

  • respiram mais rápido
  • ficam mais tempo dentro da água
  • têm vias aéreas ainda em desenvolvimento

Isso aumenta a exposição relativa aos irritantes da piscina. Nos idosos, o risco existe sobretudo quando há doenças respiratórias associadas. A evidência científica é mais consistente para crianças.

Bebês e crianças pequenas podem ter prejuízos respiratórios ao frequentar piscinas cloradas?

Podem, especialmente quando a exposição é frequente e precoce. Alguns estudos mostram que crianças que passam muitas horas em piscinas cloradas antes dos 2 anos apresentam maior risco de:

  • infecções respiratórias
  • sintomas alérgicos

Isso não prova causa direta, mas indica que exposição excessiva nessa fase pode não ser inofensiva, principalmente em ambientes fechados.

Quais sintomas respiratórios podem estar relacionados ao cloro da piscina?

Os mais comuns são:

  • tosse seca após nadar
  • nariz entupido ou escorrendo
  • ardor nasal ou na garganta
  • chiado no peito
  • sensação de aperto ou falta de ar

Quando esses sintomas aparecem sempre depois da piscina, o padrão merece atenção.

Tosse persistente depois da natação pode ser sinal de irritação pulmonar?

Sim. Se a criança ou adulto tosse sempre após a piscina, principalmente à noite ou no dia seguinte, isso sugere irritação das vias aéreas. Quando é recorrente, não deve ser ignorado nem atribuído apenas ao “cansaço”.

Atletas ou pessoas que nadam com frequência precisam de cuidados especiais?

Precisam. Quanto maior o tempo de exposição, maior o contato com cloraminas. Por isso, é importante:

  • preferir piscinas bem ventiladas
  • evitar piscinas fechadas e aquecidas
  • tomar banho antes de entrar na água
  • observar sintomas respiratórios após o treino

Existe um tempo máximo seguro de permanência na piscina?

Não existe um número exato definido pelas diretrizes. As recomendações são baseadas em sintomas e contexto, não em minutos. Se a pessoa sai bem, sem tosse, chiado ou desconforto, o risco é menor. Se os sintomas aparecem repetidamente, o problema não é o tempo — é a exposição.

Dá para reduzir os efeitos do cloro sem abrir mão da natação?

Sim, e isso é muito importante. Algumas medidas ajudam bastante:

  • boa ventilação do ambiente
  • sistemas alternativos de tratamento da água (ozônio ou salinização)
  • controle rigoroso da qualidade da piscina
  • banho antes de entrar na água

Menos resíduos orgânicos = menos cloraminas no ar.

Tomar banho antes e depois da piscina realmente ajuda?

Ajuda, sim. O banho antes remove suor, cosméticos e resíduos da pele que reagiriam com o cloro. O banho depois ajuda a retirar substâncias irritantes da pele e das mucosas. É uma medida simples, mas com impacto real.

A natação ainda é indicada para quem tem asma ou DPOC?

Sim — quando a doença está controlada. A natação pode melhorar:

  • condicionamento físico
  • capacidade pulmonar
  • qualidade de vida

O problema não é o esporte, é o ambiente inadequado e a falta de controle da doença.

Que orientações o senhor daria aos pais de crianças asmáticas que fazem natação?

Eu costumo orientar:

  • manter a asma bem controlada antes de iniciar aulas
  • preferir piscinas abertas ou bem ventiladas e optar por piscinas com formas alternativas de tratamento da água (ozônio ou salinização)
  • evitar piscina durante crises ou infecções respiratórias
  • observar tosse ou chiado após as aulas
  • conversar com o instrutor
  • suspender temporariamente se os sintomas persistirem
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