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Profissionais do HC detalham desafios e aprendizados na missão humanitária no Sul

Cinco enfermeiros do Hospital de Cirurgia com uniforme da Força Nacional do SUS
Equipe de enfermagem do Hospital de Cirurgia (HC) que integrou a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul. Fotos: Divulgação

No dia 16 de maio, o Hospital de Cirurgia (HC) enviou para o Rio Grande do Sul cinco profissionais para se integrarem à Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) no trabalho de assistência à população afetada pelas enchentes. Os enfermeiros e enfermeiras selecionados para a missão passaram por um processo de avaliação, que considerou suas habilidades técnicas e experiência em situações de alta pressão.

Uma das profissionais selecionadas foi Ana Carolina Santos Santana. Segundo ela, a preparação para a viagem envolveu muita pesquisa e estudo sobre a atuação da Força Nacional do SUS. Um dos maiores desafios foi lidar com a saudade da família e enfrentar o frio intenso. Motivada pelo desejo de aliviar o sofrimento dos gaúchos, Ana Carolina enfatizou a importância de sua participação.

“Sou muito grata ao Hospital de Cirurgia por me permitir participar dessa missão. Agradeço à nossa interventora, Márcia Guimarães, e a todos que contribuíram para que eu pudesse levar meu aprendizado para ajudar nossos irmãos do sul. O HC é minha segunda casa, lugar que amo e zelo. Espero poder contribuir positivamente sempre com o HC”, afirmou.

Lições para a vida

Ana Carolina Santos Santana com colegas da Força Nacional do SUS no Rio Grande do Sul
Ana Carolina Santos Santana: “voltei uma pessoa mais grata”. Foto: Divulgação

Após 40 dias desde o início da catástrofe climática, o Rio Grande do Sul ainda enfrenta uma situação crítica, com 478 municípios afetados e mais de 423,4 mil pessoas desalojadas de suas casas. Outras 18,8 mil continuam em abrigos provisórios. Diante desse cenário alarmante, participar de uma missão humanitária trouxe inúmeros sentimentos e lições duradouras para Ana Carolina.

“Pessoalmente, essa experiência modificou toda a minha vida. Voltei uma pessoa mais grata. Profissionalmente, voltei gratificada também por ser enfermeira e ter conseguido ajudar aquelas pessoas no momento em que mais precisavam”, disse.

Ela descreveu um momento marcante durante a missão: “Uma família que já havia voltado para casa teve que sair novamente às pressas por causa das chuvas que voltaram a subir. No corre-corre, eles não levaram nem água para beber. Dei a água que tinha comigo e recebi abraços que entraram no meu coração. Nunca vou esquecê-los”.

Vontade de ajudar

Outro profissional, Airton Oliveira Passos Junior, também ressaltou a importância do apoio dos familiares e do HC. “Eu queria muito contribuir para o bem-estar da população do Rio Grande do Sul, ajudando aqueles que mais precisam e tornando o mundo um lugar melhor para todos, onde a solidariedade e o amor ao próximo sejam os pilares de nossa sociedade”, afirmou.

Enfermeiro Airton Oliveira Passos Junior com uniforme da Força Nacional do SUS
Airton Oliveira Passos Junior: “Sem sombra de dúvidas, essa experiência me ajudará a prestar uma assistência mais humana”. Foto: Divulgação

Airton comenta que uma das maiores lições que levará para o resto da vida é a prestação de uma assistência mais humana. Segundo ele, muitos pacientes só queriam conversar sobre a enchente. Porém, foram os momentos mais difíceis que jamais serão esquecidos. “Me impactou bastante o atendimento a uma criança de quatro anos que necessitava de aspiração para melhorar o nível de oxigênio no sangue, devido a ser traqueostomizada e dependente de oxigenoterapia”, contou.

Ele expressou gratidão aos seus dirigentes e familiares: “Sem sombra de dúvidas, essa experiência me ajudará a prestar uma assistência mais humana, ouvindo sempre o paciente e acompanhante como já fazemos no Hospital de Cirurgia. Sou extremamente grato aos meus dirigentes que tiveram a empatia de disponibilizar cinco colaboradores para essa missão. Gostaria de agradecer ao apoio da minha mãe Kelli Soares, do meu pai Airton Passos, da minha noiva Ingrid Fernandes, da minha madrinha Irene Passos e dos dirigentes do Cirurgia, Márcia Guimarães, Mirella Dornelas, Aline Abreu, Lívia Menezes, Juliana Cabral, Karla Costa”, concluiu.

Força-tarefa

A Força Nacional do SUS atendeu um total de 14,1 mil pessoas no Rio Grande do Sul desde 5 de maio. O Ministério da Saúde mantém quatro hospitais de campanha em funcionamento: em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo. O número de mortos nas enchentes subiu para 176, segundo boletim divulgado pela Defesa Civil do estado na última sexta-feira, 14. Ao todo, 39 pessoas estão desaparecidas.

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