Na última quarta-feira, o governo do estado de Sergipe deu um importante passo na ampliação da capacidade hospitalar ao entregar 11 novos leitos no Hospital da Criança. Desses, oito são de enfermaria, dois semicríticos e um de isolamento. Essa iniciativa é parte de um esforço contínuo para enfrentar as síndromes gripais que, sazonalmente, afetam as crianças e lotam as urgências pediátricas no estado. Nos próximos dias, a previsão é que mais 10 leitos de enfermaria sejam entregues no Hospital de Estância e outros seis no Hospital de Socorro.
Essa ação do governo estadual é um movimento necessário e bem-vindo no combate às doenças sazonais que sobrecarregam o sistema de saúde infantil. No entanto, é lamentável constatar que o mesmo empenho não é observado nas administrações municipais. Dados do setor de saúde revelam que cerca de 80% das crianças atendidas no Hospital da Criança e no Huse deveriam ser tratadas nas unidades básicas de saúde (UBS). Esses são casos de baixa complexidade que, se devidamente geridos nas UBS, poderiam evitar a superlotação dos hospitais destinados a casos mais graves.
O problema é antigo e enraizado: a ausência de médicos e a falta de medicamentos nas UBS fazem com que os pais busquem atendimento hospitalar para situações que não exigem cuidados emergenciais. Esse desvio agrava a superlotação dos hospitais, comprometendo a qualidade do atendimento para aqueles que realmente necessitam de cuidados urgentes.
É importante que a população saiba que os municípios recebem recursos públicos para a manutenção dessas UBS, para a contratação de profissionais e também para a compra de medicamentos. Portanto, as prefeituras não podem simplesmente transferir a sua responsabilidade para o estado. Além disso, é fundamental que haja transparência na gestão desses recursos, para que a população possa acompanhar como o dinheiro está sendo utilizado e garantir que os serviços de saúde sejam eficientes e de qualidade.
É imperativo que esse cenário seja amplamente discutido e abordado com políticas eficazes. A abertura de novos leitos é um passo crucial, mas deve ser acompanhada de um fortalecimento das UBS, garantindo que elas funcionem como a primeira linha de defesa na saúde infantil. Somente com um sistema de saúde integrado e eficiente será possível oferecer um atendimento digno e adequado às crianças de Sergipe.
André Carvalho – jornalista responsável

