
O Brasil enfrenta um aumento preocupante no número de internações por herpes-zóster, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH), do Ministério da Saúde. Em 2023, foram registradas aproximadamente 2,6 mil internações, representando um aumento de 13,6% em relação ao ano anterior, que contabilizou 2,3 mil ocorrências, e um alarmante aumento de 31,6% em comparação com as duas mil hospitalizações de 2021.
Segundo a dermatologista da Oncoclínicas em Sergipe, Dra. Thâmara Morita, o herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, é a reativação do vírus varicela-zóster (VVZ), responsável por transmitir inicialmente a catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido nos nervos e pode ser reativado, geralmente na idade adulta ou em indivíduos com imunidade comprometida e doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
“O herpes-zóster causa lesões na pele, podendo também afetar órgãos importantes, como os olhos, e evoluir em complicações graves, como baixa quantidade de plaquetas, responsáveis pela coagulação no sangue, infecção bacteriana secundária de pele, como impetigo, abscessos, celulite e erisipela, varicela disseminada ou hemorrágica, principalmente em pessoas com comprometimento do sistema imunológico, e nevralgia pós-herpética, com dor persistente por quatro a seis semanas após a erupção cutânea”, explica a dermatologista.
Na maior parte das vezes, antes das lesões de pele, surgem os seguintes sintomas: dores nos nervos, formigamento, adormecimento, ardor, coceira, febre, dor de cabeça e mal-estar. “As erupções cutâneas geralmente se manifestam como vesículas com distribuição unilateral, seguindo o trajeto de um nervo, e que surgem gradualmente ao longo de dois a quatro dias. Quando não ocorre infecção bacteriana secundária, evoluem para crostas e cura em até quatro semanas”, afirma a Dra. Thâmara Morita.
O tratamento do herpes-zóster é realizado por meio do uso de medicamentos via oral, em crianças e adultos sem comprometimento imunológico, ou venosa, em pessoas com comprometimento imunológico, quadros graves ou disseminados. “A terapia antiviral deve ser iniciada em até 72h após o surgimento das lesões de pele, na tentativa de prevenir a ocorrência de neuralgia pós-herpética, que é a complicação mais frequente da doença”, aponta a médica.
Prevenção e vacinação

De acordo com a dermatologista, entre as medidas preventivas para evitar o contágio pode-se destacar: lavar as mãos após tocar as lesões de catapora ou do próprio herpes-zóster, manter o isolamento da pessoa afetada até que todas as feridas tenham evoluído para crostas e desinfecção de objetos contaminados com secreções respiratórias. No entanto, a maior ferramenta de prevenção é a vacinação.
“A vacina contra o herpes-zóster é recomendada para pessoas com 50 anos ou mais, sendo administrada em duas doses com intervalo de dois meses. Indivíduos com mais de 18 anos que irão enfrentar tratamentos que deprimem a imunidade, como a terapia contra o câncer, também devem receber o imunizante”, explica a especialista.
Desde 2022, está disponível no Brasil, até o momento exclusivamente na rede privada, uma nova vacina contra o herpes-zóster. Em Aracaju, o imunizante pode ser encontrado no Cemise – Centro de Medicina Integrada de Sergipe, com aplicação em regime de duas doses.
“A vacina utilizada anteriormente tinha uma proteção limítrofe de 51% e de baixa duração, com eficácia ainda menor em pessoas acima de 70 anos. Já a nova vacina, pelos estudos atuais, confere uma proteção de 90% em todas as populações acima de 50 anos, com duração de efeito duradoura, sem necessidade de novas aplicações posteriores”, explica a dermatologista.
Segundo a médica, mesmo aqueles indivíduos que foram vacinados anteriormente podem se beneficiar do novo imunizante. “Essa é uma vacina segura e seus eventos adversos são leves, incluindo dor no local da aplicação e, eventualmente, uma síndrome gripal imediata pela conversão imunológica”, finaliza.

