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Brasil lança vacina de dose única contra a dengue e infectologista destaca os impactos históricos para a saúde pública

Profissional aplica vacina no braço de uma jovem
A simplicidade do esquema vacinal tende a aumentar a cobertura, especialmente entre crianças e populações de maior vulnerabilidade. Foto: Freepik

A aprovação da nova vacina brasileira contra a dengue pelo Instituto Butantan marca um dos avanços mais importantes da saúde pública nacional nas últimas décadas. Desenvolvida com tecnologia própria e aplicada em dose única, a vacina surge como uma estratégia crucial para reduzir casos, internações e mortes em um país que registrou mais de 5 milhões de notificações da doença em 2024.

Dra. Mariela Cometki, médica infectologista
Dra. Mariela Cometki, infectologista. Foto: Divulgação

Para a infectologista Dra. Mariela Cometki, referência em imunidade e saúde integrativa, o impacto dessa aprovação vai muito além da inovação científica. “Estamos diante de uma mudança estrutural na forma como o Brasil enfrenta a dengue. Uma vacina de dose única significa mais adesão, mais acesso e uma proteção real para populações que historicamente têm dificuldade de completar esquemas vacinais multidose”, afirma.

Por que a vacina Brasileira representa um divisor de águas

A especialista aponta três pilares que tornam a nova vacina especialmente estratégica para o Programa Nacional de Imunizações (PNI):

1. Dose única: adesão muito maior
A simplicidade do esquema vacinal tende a aumentar a cobertura, especialmente entre crianças e populações de maior vulnerabilidade.

“Quanto mais simples o esquema, maior o alcance. Isso se traduz diretamente em menos surtos e menor número de casos graves”

Dra. Mariela Cometki

2. Produção 100% nacional e custo reduzido
A capacidade de produção do Instituto Butantan reduz dependências internacionais e abre caminho para uma oferta mais estável e economicamente viável. Com produção contínua no Brasil, a previsão é que o imunizante seja incorporado gradualmente ao SUS, ampliando o acesso público.

3. Proteção ampla contra os principais sorotipos
A tecnologia utilizada demonstrou eficácia robusta nos estudos clínicos para os sorotipos de maior circulação no país, oferecendo uma camada de proteção mais adaptada à realidade epidemiológica brasileira.

Expectativas para implementação no SUS

O Ministério da Saúde já sinalizou prioridade para incorporar o imunizante ao PNI assim que houver escala de produção suficiente. Segundo Dra. Cometki, essa inclusão poderá redefinir o enfrentamento da doença no Brasil. “A dengue deixou de ser apenas uma doença sazonal. Ela é parte do calendário epidemiológico brasileiro. Vacinar em larga escala será tão importante quanto a vacinação anual de gripe”, afirma.

Medidas continuam essenciais

Mesmo com o avanço da vacina, a médica reforça que o controle do Aedes aegypti segue indispensável:

  • eliminação de focos de água parada;
  • uso de repelentes adequados;
  • telas e barreiras físicas;
  • diagnóstico rápido nos primeiros sintomas.

“Vacina não substitui prevenção. Ela complementa. E só o conjunto das ações pode reduzir surtos”, alerta.

Um passo histórico para a imunidade coletiva

Com a aprovação da dose única brasileira, o país entra em uma nova fase de controle da dengue — mais acessível, mais estratégica e mais próxima do cotidiano da população.

“Pela primeira vez, temos uma vacina que conversa com a realidade do Brasil. Isso muda tudo” — conclui a infectologista Dra. Mariela Cometki.

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