
Em 2025, o Ministério da Saúde celebrou oficialmente os 40 anos da resposta nacional ao HIV e à Aids. O marco histórico trouxe também um reconhecimento especial a profissionais que se dedicaram, desde o início, ao enfrentamento da epidemia. Entre eles está o médico sergipano Dr. Almir Santana, um dos poucos no país que acompanharam de perto toda a trajetória da doença — desde os anos de maior estigma até os avanços da medicina moderna.
Por sua atuação pioneira e incansável, o Diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira Cravo Neto, homenageou Dr. Almir com uma placa em agradecimento à sua contribuição desde o início da epidemia no Brasil.
O início de uma luta histórica em Sergipe
A chegada do HIV em Sergipe remonta aos anos de 1986 e 1987, período marcado por forte estigma e discriminação. O cenário era de medo, desinformação e rejeição — inclusive por parte de profissionais de saúde. Sem recursos técnicos para enfrentar a doença, restavam a educação, o compromisso humanitário e a vontade de acolher as pessoas afetadas.
Dr. Almir relembra que o trabalho começou com um olhar social para aqueles que viviam com HIV/Aids e estavam em situação de extrema vulnerabilidade. Com apoio do Governo do Estado, foi criada uma Casa de Apoio para acolher pacientes rejeitados pela família e pela sociedade.

Com o surgimento dos primeiros medicamentos antirretrovirais, ele se destacou na articulação para trazer os tratamentos para o estado.
“Sergipe foi pioneiro na aquisição dos chamados ‘kits de tratamento’, antes mesmo da disponibilização nacional pelo Ministério da Saúde. A partir deste movimento, foi estruturado o Programa Estadual de IST/Aids, que se tornou referência no Nordeste”, disse Dr. Almir Santana.
Sergipe também foi um dos primeiros estados a desenvolver campanhas educativas regionalizadas, ampliando o alcance da informação e contribuindo para reduzir preconceitos e incentivar o diagnóstico precoce.
Avanços e novos desafios
Ao longo de quatro décadas, muitos avanços foram conquistados, mas os desafios permanecem. Segundo Dr. Almir, entre os principais pontos estão a necessidade de ampliar a descentralização dos serviços e o enfrentamento de novos agravos, como o vírus HTLV.

O Brasil tem hoje cerca de 1,2 milhão de pessoas vivendo com HIV. Em Sergipe, os dados dos últimos sete anos mostram:
- 1.836 adultos vivendo com Aids
- 12 crianças vivendo com Aids
- 3.969 adultos vivendo com HIV
- 16 crianças vivendo com HIV
- 712 gestantes diagnosticadas com HIV no período
Sergipe está entre os estados que mais realizam ações de testagem e prevenção. Entre os avanços comemorados nacionalmente está a queda da mortalidade por Aids, que apresentou redução de 12,8% em 2024.
Transmissão vertical reduzida e municípios premiados
Outra grande vitória é a redução da transmissão vertical — quando o HIV passa da mãe para o filho durante a gestação ou parto. Sergipe já recebeu o Selo Prata de Boas Práticas por suas ações de prevenção, e o município de Lagarto tornou-se destaque nacional ao eliminar a transmissão vertical, resultado direto da qualificação do pré-natal e do acesso ao tratamento adequado.
Quarenta anos após o início da epidemia, Dr. Almir Santana continua na linha de frente, lutando contra o HIV, outras ISTs e o estigma que ainda persiste. Sua trajetória se confunde com a história da resposta ao HIV em Sergipe e no Brasil — uma história de resistência, humanidade e compromisso com a vida.

