Juro que não estou nada contente com as voltas que a Terra tem dado. Acho que tem muita malandragem no ar, está rolando propina, tem “alguéns” mamando nas tetas da “Via Láctea”. Acho que algum maluco cheirando crack com validade vencida resolveu pilotar o planeta a uma velocidade acima da permitida, em direção a um destino ignorado.
Os dias estão muito curtos, acho que esse negócio de 24 horas virou conversa fiada, tem algum sabotador doido do Estado Islâmico ou da turma “PCC”, alterando o eixo do “Planeta Azul”.
Quero ter tempo para ler coisas sérias e, sobretudo, bobagens, revistas do Patinhas, voltar a colecionar figurinhas, aprender a escalação do Corinthians e do Itabaiana, tempo para encontrar amigos novos e velhos, de Coronel João Sá a Nova Iorque, de Boston a Bagdá.
Quero mais amigos, conhecidos, jogar conversa fora, beber chope gelado, comer pastel com caldo de cana, comer frito na feira e ainda ter tempo de sobra para ser um médico atuante e bem-informado. E pensar que tem alguém “coçando o saco” esperando o tempo passar!
Se eu fosse Deus, o prêmio do tempo seria por merecimentos; excesso de democracia, por vezes, estraga o melhor dos propósitos.
Que coisa mais maluca, tem gente que passa os dias sem fazer nada, em um vácuo existencial, enquanto eu morro de ansiedade querendo ter tempo para ler os clássicos gregos, os iluministas franceses, ingleses; quero ouvir clássicos, rocks, MPB, blues, forró, valsa, arrocha, pagode, samba e outros ziriguiduns.
Meu dia é curto, não cabe o que quero e preciso fazer. Será que estão traficando meu tempo? Será que estão depositando em algum paraíso fiscal? Ou quem sabe, algum grupo de corruptos está cobrando 10% pelos preciosos minutos de minha vida?
Fato é que, a despeito do Macbook, do iPhone Pro, do iPad, do IOS, da internet, do e-mail, do Facebook, do Instagram, do Windows 11, do Wi-Fi, do Blue-Touch, do Touch-Screen, do WhatsApp, do Netbanking, do Home Office e de todas as mídias eletrônicas instantâneas, o tempo para ser livre e feliz está ficando a cada dia mais curto.
Pois bem, baseado nessas e tantas, decidi criar um grupo no Facebook e no WhatsApp e convido você para participar: “Grupo – Pare O Mundo Que Eu Vou Descer”.
Vamos mudar para Marte, onde o ano tem 780 dias e, com as novas tecnologias, vai ser mole chegar lá de “Uber Espacial”; inclusive será possível se aposentar pelas novas regras da previdência e ainda ter tempo sobrando para pescar, aprender a cozinhar, tocar vários instrumentos, fazer exercícios, colocar cadeira na calçada e conversar com os vizinhos, namorar sem medo de ejaculações precoces, ir para tudo que é porcaria sem medo de estarmos desperdiçando o tempo.
Que saco, todo mundo impaciente, intolerante, com pressa para chegar antes e depois. A confiança foi para o ralo, “é reinventar de novo o amor”.
Já pensaram como seria uma delícia viver em um planeta sem a dimensão angustiante do tempo? Nada estaria adiantado, muito menos atrasado; esperar seria tão prazeroso quanto indiferente. Pressa, alvoroço, correria e atropelos seriam percepções das pessoas daquele “planeta azul” que vemos lá, bem longe daqui, o nosso velho “Planeta dos Tempos Corridos”.
Venham, juntem-se a mim!
Dr. José Marcondes – é médico pneumologista e membro da Sobrames Sergipe

