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Câncer de próstata: prevenção avança, mas tabus persistem entre homens, avalia médica

Mãos seguram laço azul
Mesmo com maior visibilidade do Novembro Azul, muitos homens ainda adiam exames que podem salvar vidas. Foto: Freepik

Mesmo com os progressos trazidos pelo Novembro Azul, muitos homens continuam adiando exames essenciais para a detecção precoce do câncer de próstata. A médica oncologista Dra. Carmélia Barreto explica que os métodos de rastreamento estão cada vez mais precisos, mas o desafio maior ainda é romper barreiras culturais, emocionais e comportamentais que afastam os homens dos consultórios.

O diagnóstico precoce continua sendo a principal arma contra o câncer de próstata. Segundo a Dra. Carmélia, o rastreamento é baseado em dois exames complementares: o PSA, exame de sangue que mede o Antígeno Prostático Específico, e o toque retal, que permite avaliar tamanho, consistência e alterações suspeitas da glândula. “Para a maioria dos homens, esses exames devem começar por volta dos 50 anos. Porém, para aqueles que pertencem a grupos de risco — como homens negros, pacientes com histórico familiar, ou portadores de mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2 — a avaliação deve iniciar mais cedo, geralmente a partir dos 45 anos, de maneira individualizada”, lembra.

PSA: importante, mas não absoluto

Dra. Carmélia Barreto, oncologista
Dra. Carmélia Barreto, oncologista. Foto: Divulgação

Embora o PSA continue sendo uma ferramenta valiosa, ele não é um exame perfeito. Pode apresentar alterações por motivos que não estão relacionados ao câncer de próstata, como prostatite, infecções, hiperplasia benigna, relação sexual recente ou até prática intensa de ciclismo. Além disso, alguns tumores iniciais podem surgir mesmo com PSA pouco elevado.

Por isso, destaca a especialista, o resultado do PSA deve ser interpretado dentro de um contexto clínico mais amplo, sempre associado ao toque retal e, quando necessário, à ressonância multiparamétrica da próstata.

Quando a biópsia é indicada

Nem sempre o PSA dentro da normalidade significa ausência de risco. A biópsia pode ser recomendada em situações como nódulos identificados no toque retal, lesões suspeitas na ressonância, aumento progressivo do PSA ao longo dos anos ou presença de mutações genéticas relevantes.

“Um PSA normal isolado não exclui câncer de próstata quando outros elementos chamam atenção”, enfatiza a oncologista.

Fatores de risco e estilo de vida

Médico com prancheta atende paciente
A idade avançada continua sendo o principal fator de risco, especialmente após os 50 anos. Foto: Divulgação

A idade avançada continua sendo o principal fator de risco, especialmente após os 50 anos. Mas outros elementos merecem atenção, como histórico familiar, raça — com destaque para o maior risco entre homens negros — e alterações genéticas.

Há também influência do estilo de vida. Alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade podem piorar o metabolismo, favorecer inflamação e contribuir para tumores mais agressivos. Dieta natural, exercícios regulares e controle de peso são medidas que ajudam na prevenção e no enfrentamento da doença.

“O câncer de próstata costuma ser silencioso em sua fase inicial. Quando há sintomas, podem surgir jato urinário fraco, dificuldade para urinar, aumento da frequência noturna, sangue na urina ou no sêmen. Em estágios avançados, dor óssea persistente pode indicar metástase. Sinais como sangue na urina, dor intensa, perda de peso inexplicada e cansaço extremo também exigem avaliação médica imediata”, comenta a especialista.

“Cuidar da saúde não diminui sua masculinidade. Pelo contrário: é ato de coragem e responsabilidade, para com você mesmo e para com os que você ama e lhes são importantes. O exame é rápido, acessível e salva vidas — especialmente quando a doença é descoberta logo cedo.”

Dra. Carmélia Barreto, oncologista

Avanços nos tratamentos garantem mais qualidade de vida

As opções terapêuticas estão cada vez mais personalizadas e incluem vigilância ativa, cirurgia, radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia, terapias-alvo e inibidores de PARP — especialmente utilizados em pacientes com mutações como BRCA1 e BRCA2.

Mesmo com possíveis efeitos colaterais como disfunção erétil, redução da libido e incontinência urinária, técnicas modernas têm reduzido riscos. Protocolos de reabilitação sexual também ajudam a recuperar a qualidade de vida do paciente após o tratamento.

Novembro Azul: avanço importante, mas ainda insuficiente

Segundo a Dra. Carmélia, a campanha Novembro Azul ampliou a visibilidade do tema em empresas, comunidades, clubes e na mídia. “Cada vez mais homens procuram orientação porque ouviram falar da campanha. Mas mesmo assim, quando comparado ao Outubro Rosa, percebemos um movimento mais tímido e menos proativo. Como profissionais de saúde, devemos ser os primeiros a quebrar estes tabus e fazermos chegar a informação correta de prevenção a estes pacientes, acolhendo seus medos, angústias e fragilidades”, observa a Dra. Carmélia.

Ela lembra que os exames são rápidos, acessíveis e salvam vidas, especialmente quando o diagnóstico é precoce. Apesar dos desafios, os avanços na oncologia permitem que cada vez mais pacientes com câncer de próstata tenham sobrevida prolongada e com qualidade, com respeito ao estilo de vida de cada um.

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