O ar puro, a paisagem acolhedora, o canto dos pássaros, a limpeza exemplar, as pistas de piso uniforme e a segurança exercida pela Guarda Municipal compõem um conjunto de atributos que tornam o Parque Augusto Franco (Sementeira), em Aracaju, um cenário privilegiado para os que escolhem iniciar o dia com uma caminhada ou corrida revigorante. Nesta época do ano, a brisa suave e o sol ameno das manhãs do verão nordestino conferem ainda mais encanto à prática. E quem prefere o final da tarde ou a noite, encontra, da mesma forma, um ambiente seguro, convidativo e estimulante para a atividade física. Para os afortunados que, como eu, moram nas proximidades, soma-se a conveniência do fácil deslocamento.
Promover hábitos de vida saudáveis constitui um dos maiores desafios da saúde contemporânea. Em meio ao preocupante avanço do sedentarismo, do sobrepeso, das doenças cardiovasculares (DCV) e dos transtornos psicológicos, torna-se imperativo que os profissionais de saúde assumam papel ativo, não apenas no tratamento das enfermidades, mas sobretudo, na prevenção. Dizer “sim” ao exercício físico (EF) é adotar um estilo de vida ativo e, ao mesmo tempo, abraçar uma estratégia de cuidado integral do corpo e da mente.
Convém esclarecer: atividade física é todo movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso — como caminhar, subir escadas ou executar tarefas domésticas. Já o exercício físico é uma forma específica de atividade física, planejada, estruturada e repetitiva, cujo propósito é melhorar ou manter a aptidão física e a saúde. Assim, todo exercício é atividade física, mas nem toda atividade física configura exercício.
A prática regular de EF é amplamente recomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e por entidades congêneres em todo o mundo, tanto para a promoção do bem-estar físico e mental quanto para a redução da incidência de DCV — especialmente o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral, responsáveis por cerca de 31% das mortes no Brasil e globalmente. Para alcançar esses benefícios, orienta-se a combinação de exercícios aeróbicos (caminhada, ciclismo, natação) com atividades de fortalecimento muscular (faixas elásticas, pesos livres, treino com o próprio peso corporal). Importante reforçar que pessoas com cardiopatias também devem ser estimuladas a praticar exercício físico, desde que sob orientação médica. Práticas como alongamento, yoga e pilates oferecem contribuições valiosas para a saúde cardiovascular e para o bem-estar geral. As diretrizes recomendam 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada (30 minutos/dia, em 5 dias) ou 75 minutos de atividade intensa (25 minutos/dia, em 3 dias), aliados a duas sessões semanais de fortalecimento muscular. A progressão deve ser gradual e respeitar os limites individuais. Embora não existam contraindicações absolutas ao EF, sua prescrição deve ser obrigatoriamente individualizada para prevenir excessos e adaptar o treino às condições clínicas.
É oportuno lembrar que episódios de morte súbita durante o exercício — especialmente em jovens — e, por vezes, equivocadamente atribuídos a vacinas, geralmente decorrem de doenças cardíacas pré-existentes. A maioria poderia ser evitada com adequada avaliação médica prévia.
Nesse contexto, o livro “Cardiologia do Exercício: Maximizando os Benefícios e Reduzindo os Riscos”, que será relançado no dia 24 de novembro, às 17h, na Academia Sergipana de Letras (Rua Pacatuba, 288 – Centro), apresenta, em linguagem acessível e rigor científico, as múltiplas vantagens e os cuidados necessários para uma prática segura e eficaz. Alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de diversas sociedades médicas nacionais e internacionais, a obra oferece ao leitor orientações claras, didáticas e fundamentadas, sem a pretensão de constituir um tratado da especialidade, mas com a virtude de sintetizar o essencial da cardiologia do exercício para o público geral e profissional.
Assim, reafirma-se a importância de dizer “sim” ao exercício físico — de maneira consciente, progressiva e personalizada — a fim de maximizar benefícios, reduzir riscos e harmonizar-se ao melhor conhecimento científico contemporâneo.
Antônio Carlos Sobral Sousa – Professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação

