
A obesidade hoje é uma epidemia silenciosa no mundo. Para se ter ideia, no Brasil, 68% da população tem excesso de peso e, dessas, 31% tem obesidade e 37% tem sobrepeso, apontam dados do Ministério da Saúde (MS). A obesidade, considerada uma doença crônica, vai muito além da estética: a pessoa com excesso de peso tem muito mais risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, esteatose hepática, câncer e outras doenças. Por isso, atualmente, a cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz contra essa condição que afeta milhares de pessoas, trazendo benefícios e mais qualidade de vida.
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, Rogério Rodrigues, a bariátrica auxilia não apenas no emagrecimento, mas também melhora e até cura doenças associadas à obesidade.
“A cirurgia bariátrica não é indicada somente para a pessoa perder peso. É muito mais do que isso. Ela salva vidas. É um procedimento consolidado, com respaldo científico e é a estratégia mais segura, eficaz e duradoura contra a obesidade e as doenças associadas. Quem faz a bariátrica tem uma virada de chave: passa a ter saúde e qualidade de vida”, afirma o médico.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 submetidos a cirurgia bariátrica têm remissão completa da doença; 70% apresentam normalização da pressão arterial e redução de 50% a 60% no risco de morte cardiovascular.

“A sociedade precisa entender que a bariátrica não é um ‘atalho’ para o emagrecimento. É uma ferramenta consolidada para devolver a saúde, autoconfiança e qualidade de vida das pessoas. Lógico que a perda de peso é importante e significativa, mas vale destacar também os outros benefícios, como a melhora das comorbidades”, ressalta o cirurgião.
Bariátrica x canetinhas
A busca pela perda de peso e uma vida mais saudável tem crescido e, recentemente, surgiram as famosas “canetinhas” que antes eram usadas somente para o controle do diabetes. Os análogos do GLP-1, a exemplo da semaglutida e tirzepatida, ganharam notoriedade no mundo e têm sido utilizados também para o emagrecimento, prometendo de 15% a 20% de perda do peso corporal.
No entanto, é preciso ter cautela sobre o uso desses remédios injetáveis, alerta Rogério Rodrigues. “Os análogos podem ser utilizados para o emagrecimento, mas é importante destacar alguns pontos: eles precisam ser usados continuamente para manter o efeito e a interrupção do uso costuma levar à recuperação do peso. Ao contrário da bariátrica, que tem resultados sustentáveis em longo prazo, com melhora duradoura das comorbidades. Ou seja, as canetinhas podem ser sim uma aliada no tratamento contra a obesidade grave, mas elas têm custo alto, precisam ser usadas por mais tempo e ainda pode haver reganho de peso”, frisa.
Bariátrica é segura
O avanço tecnológico e o aprimoramento das técnicas tornaram a cirurgia bariátrica cada vez mais segura. Atualmente, as principais opções de técnicas da bariátrica disponíveis no Brasil são:
- Bypass gástrico (em Y de Roux) – técnica mais utilizada no país, com resultados excelentes no controle do diabetes e do refluxo;
- Gastrectomia vertical (sleeve gástrico) – remove parte do estômago e reduz o hormônio da fome (grelina), com excelente perda de peso;
- Cirurgias revisionais – para pacientes que tiveram procedimentos anteriores e necessitam de ajustes;
- Novas técnicas aprovadas recentemente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), como a bipartição gástrica e o SADI-S.
“Cada caso é um caso e a escolha da técnica depende de uma avaliação individualizada. Por isso, é importante buscar um profissional médico de confiança que fará uma avaliação minuciosa e recomendará o melhor procedimento para o paciente”, declara o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, Rogério Rodrigues.

