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Dor que não pode esperar: o caminho da reconstrução após o abuso

Os dados registrados pelo setor especializado no Hospital Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) revelam uma realidade preocupante e dolorosa: o número de atendimentos a vítimas de abuso sexual segue elevado, especialmente entre jovens menores de 18 anos. Em 2015, foram 232 casos notificados nessa faixa etária, sendo a maioria do sexo feminino. Já entre os adultos, foram contabilizados 54 casos no mesmo período.

A unidade registrou, ainda, 232 consultas de primeiro atendimento e 820 de retorno no ano de 2015, consolidando-se como referência no acompanhamento a essas vítimas. Para efeito de comparação, em 2014 o número total de pacientes atendidos foi de 302 – o que evidencia um aumento expressivo na procura por assistência.

Diante de uma violação tão brutal, a resposta do sistema de saúde deve ser ágil, acolhedora e tecnicamente eficaz. A profilaxia contra a gravidez indesejada e as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) precisa ser iniciada em tempo hábil, e o uso de antirretrovirais – coquetel que pode evitar a infecção pelo HIV – é recomendado dentro de um intervalo de até 72 horas após o ocorrido.

O atendimento humanizado, aliado ao acesso rápido à medicação e ao suporte psicológico, é essencial para minimizar os danos físicos e emocionais enfrentados pelas vítimas. O trabalho realizado pelo MNSL mostra que, embora os números ainda sejam alarmantes, é possível construir uma rede de proteção eficiente e sensível. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma história de dor que precisa ser acolhida com respeito e seriedade. E cada atendimento prestado com responsabilidade representa também uma oportunidade de reconstrução e cuidado.

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