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Estou com uma ferida na boca. Será que é câncer?

Uma pequena ferida apareceu na boca. Pode ser uma afta, uma mordida acidental, uma irritação causada por algum alimento ou até mesmo um machucado provocado por um dente ou prótese. Mas, diante de uma lesão que não desaparece, é comum surgir uma preocupação: será que pode ser câncer?

Homem leva guardanapo à boca com expressão de dor
Foto: coockie_studio/Magnific

A resposta é que, na maioria das vezes, uma ferida na boca não significa câncer. Entretanto, algumas lesões precisam ser investigadas, principalmente quando persistem por um período maior do que o esperado.

É justamente por isso que não devemos ignorar uma alteração que não cicatriza.

Nem toda ferida é uma afta

Aftas e pequenos traumatismos são situações muito comuns. Podem causar dor, ardência e desconforto e, normalmente, apresentam evolução favorável e desaparecem espontaneamente.

O problema está quando a lesão permanece, aumenta, muda de aspecto ou volta repetidamente sem uma causa clara. Uma ferida na boca que não cicatriza em aproximadamente duas semanas merece avaliação odontológica, especialmente se não houver uma explicação evidente para o seu aparecimento.

Isso não significa que seja câncer. Significa que é importante descobrir o que está acontecendo.

Quais sinais merecem atenção?

Algumas características devem despertar maior atenção:

  • ferida que não cicatriza;
  • manchas brancas ou avermelhadas persistentes;
  • sangramento sem causa aparente;
  • aumento de volume ou endurecimento em alguma região;
  • dor persistente ou alteração da sensibilidade;
  • dificuldade para mastigar, engolir ou movimentar a língua;
  • rouquidão ou alteração da voz persistente;
  • aumento de volume no pescoço.

Esses sinais não são exclusivos do câncer. Podem estar relacionados a diversas outras condições. O que eles indicam é a necessidade de uma avaliação adequada.

O tempo é um importante sinal

Uma das informações mais importantes na avaliação de uma lesão bucal é o seu comportamento ao longo do tempo.

Uma pequena ferida provocada por uma mordida, por exemplo, tende a apresentar melhora progressiva. Se o trauma desapareceu, mas a lesão continua, é preciso investigar. O mesmo vale para uma região constantemente machucada por uma prótese mal adaptada, uma restauração irregular ou uma borda dental. Identificar e remover a causa é fundamental. Por isso, observar a evolução da lesão é tão importante quanto observar sua aparência.

Tabaco e álcool aumentam o risco

O câncer de boca possui fatores de risco bem estabelecidos. Entre eles, destacam-se principalmente o consumo de tabaco e o uso excessivo de bebidas alcoólicas. A associação desses dois hábitos aumenta ainda mais o risco.

A infecção pelo HPV também está relacionada a alguns tipos de câncer da região de cabeça e pescoço, especialmente aqueles que acometem a orofaringe.

Por isso, prevenção também significa reduzir fatores de risco e manter acompanhamento regular.

Quando é necessário investigar?

O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência de uma ferida.

Durante a consulta, o cirurgião-dentista avalia a localização, o tamanho, a duração, a evolução e as características da lesão, além de investigar possíveis causas locais e fatores de risco.

Quando existe suspeita clínica, pode ser necessária uma investigação complementar, que pode incluir exames de imagem ou biópsia, procedimento que permite analisar o tecido em laboratório.

A biópsia não significa que o diagnóstico de câncer já esteja confirmado. Ela é justamente uma ferramenta para esclarecer a natureza da lesão.

Não tenha medo de procurar ajuda

Um dos maiores problemas é deixar para depois uma alteração que deveria ser examinada.

O medo do diagnóstico pode fazer com que algumas pessoas adiem a consulta. Mas existe uma verdade importante: procurar atendimento não significa receber um diagnóstico de câncer. Significa ter a oportunidade de descobrir a causa e, se houver algo que precise de tratamento, agir no momento adequado.

Na odontologia, prevenção também significa saber reconhecer aquilo que foge do padrão.

Uma ferida na boca pode ser apenas uma ferida. Mas, se ela permanece além do tempo esperado, merece ser examinada.

Não é preciso viver com medo de uma lesão na boca. É preciso não ignorá-la. Porque, quando o assunto é saúde, reconhecer cedo é sempre melhor do que esperar.

Para ler mais conteúdos sobre saúde bucal e sua relação com a saúde geral, acesse meu blog: dresdras.com.br/blog.

Dr. Esdras Guimarães – CRO-SE 1463. Formado desde 2005 pela UNIT – Universidade Tiradentes e Especialista em Prótese Dentária pela Associação Brasileira de Odontologia. Pós-graduado em Implantes pelo International Team for Implantology.

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