O glaucoma é causado por danos ao nervo óptico, geralmente relacionados ao aumento da pressão intraocular

Duas das doenças oculares mais comuns e que mais afetam a população, especialmente a partir da meia-idade, são o glaucoma e a catarata. Embora ambas comprometam a visão, suas causas, sintomas e tratamentos são bastante distintos. A oftalmologista Érika Góis, do Hospital de Olhos Rollemberg Góis (HORG), explica as principais diferenças e orienta sobre a importância do diagnóstico precoce.
Segundo a médica, a catarata ocorre quando há uma opacificação do cristalino, que é a lente natural do olho. Já o glaucoma é causado por danos ao nervo óptico, geralmente relacionados ao aumento da pressão intraocular. “O que torna o glaucoma mais grave é que os danos ao nervo óptico são irreversíveis. Ou seja, as alterações visuais causadas por ele não podem ser revertidas. Já no caso da catarata, a perda da visão pode ser corrigida com cirurgia, com excelentes resultados”, explica Érika Góis.
Sintomas iniciais

Os sinais da catarata costumam ser perceptíveis com o tempo e incluem visão embaçada, sensibilidade à luz, cores desbotadas, dificuldade para enxergar à noite e trocas frequentes de óculos. O glaucoma, por outro lado, pode ser mais traiçoeiro. “O tipo mais comum, o glaucoma primário de ângulo aberto, não apresenta sintomas no início. Com o tempo, há perda gradual da visão periférica. Já o glaucoma de ângulo fechado pode provocar sintomas mais intensos, como dor ocular, vermelhidão, visão embaçada repentina, halos ao redor das luzes e dor de cabeça”, detalha a oftalmologista.

Apesar de ambas as doenças afetarem a visão, elas são facilmente diferenciadas nos exames clínicos. “Com uma avaliação oftalmológica completa, conseguimos identificar com clareza se o paciente tem catarata, glaucoma ou outro problema ocular”, esclarece a médica.
Para o diagnóstico precoce, Érika Góis reforça a importância de realizar exames oftalmológicos anualmente. “É fundamental que os cuidados com a visão comecem desde cedo. Inclusive, tanto o glaucoma quanto a catarata podem ser congênitos, ou seja, estarem presentes já no nascimento”, afirma. A recomendação é realizar o primeiro exame ainda nos primeiros meses de vida, com retornos semestrais até os dois anos de idade. A partir daí, o acompanhamento pode ser anual.
Embora o glaucoma não tenha prevenção conhecida, é possível controlar sua progressão se diagnosticado precocemente. Já a catarata, apesar de ser um processo natural do envelhecimento, pode ser retardada com hábitos de vida saudáveis. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, controle de doenças como diabetes e hipertensão, além de evitar o tabagismo, exposição excessiva ao sol e uso prolongado de corticoides são medidas que ajudam a preservar a saúde ocular”, orienta Érika Góis.

