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Médico por vocação, artista por opção

Entre médicos, a tendência às artes é acentuada pela necessidade de aliviar as tensões do cotidiano. Por ser uma profissão que lida com o que há de mais sagrado, que é a vida, os sentimentos e as relações entre as pessoas, sentimentos colhidos por uma anamnese cuidadosa que revela muitas vezes conflitos e tensões do dia a dia, há uma necessidade intrínseca e uma tendência natural por essas incursões. Não são poucos os que se dedicam, por opção, à música, pintura, escultura, literatura, entre outras manifestações artísticas.

Nomes de prestígio nacional como Pedro Nava, Jorge de Lima, Carlos Lacaz, Moacyr Scliar e, em Sergipe, Garcia Moreno, Airton Teles, Antonio Garcia, Augusto Leite, José Carrera, José Abud, Eduardo Garcia, Marcos Prado, Marcelo Ribeiro, Emanoel Zacarias, Gilmário Macedo, Antonio Samarone, Marcos Almeida, José Carlos Santana, João Lima, José Augusto Bezerra, Rômulo de Oliveira Silva, Arlinda Costa, João Alberto, José Marcondes, Sérgio Lopes, Petronio Andrade Gomes, Gildo Simões, Natanael Dórea, Paulo Leal, William Soares, Marcos Ramos, Henrique Batista, só para citar esses, foram ou são exemplos de médicos com atuação literária, artística ou musical.

Analisando a estrutura da Academia Sergipana de Letras, na galeria dos Patronos, observamos as presenças dos médicos Felisbelo Freire (1858-1916), Ascendino Reis (1852-1926), Maximino Maciel (1855-1923), Antonio Dias de Barros (1871-1928), José Lourenço de Magalhães (1831-1905) e Guilherme Pereira Rabelo (1858-1928). Como fundadores encontramos Ranulfo Hora Prata (1896-1942), Helvécio Ferreira de Andrade (1864-1940) e Augusto César Leite (1886-1978). Na mesma Academia, passaram como acadêmicos antecessores Antonio Garcia Filho (1916-1999), Renato Mazze Lucas (1919-1985), José Maria Rodrigues Santos (1929-1997), João Batista Perez Garcia Moreno (1910-1976), Walter Cardoso (1911-2001) e João Gilvan Rocha (1932-2002). Atualmente ocupam assentos os médicos Francisco Rollemberg, José Abud, Eduardo Garcia, Marcelo Ribeiro, Marcos Almeida, Lúcio Prado Dias, Paulo Amado Oliveira, Antonio Carlos Sobral Sousa, José Aderval Aragão e Geraldo Bezerra. No Movimento Cultural Antonio Garcia Filho, temos o médico endocrinologista João Macedo Santana.

Não é nada estranho que haja entre os médicos expressivo número de excelentes escritores, poetas e músicos. Pelo esplêndido conhecimento da natureza humana, todos têm esta marca registrada: quase sempre avessos a divagações, são objetivos sem serem frios, o que não lhes impede o requinte estético e a largueza do espectro.

Para concluir, a frase que escolhi para dar nome a esse artigo é do médico paulista Marcelo de Toledo, já falecido, que escondia atrás do jaleco branco uma alma artística das mais sensíveis. Além de poeta, Marcelo escreveu contos, crônicas e também se revelou um fotógrafo de peculiar senso estético. Ele é um exemplo, dentre tantos, de médicos que revelam uma sensibilidade tocante ao rimar suas tragédias cotidianas ou amorosas, com expressões artísticas, expondo por vezes seu ambiente de trabalho com emoção.

A estreia do espaço Medicina & Arte, no caderno digital “Saúde em Dia”, sob o comando do jornalista André Carvalho, vai propiciar que os colegas médicos, com aptidões literárias e artísticas, possam expressar os seus pensamentos de uma Medicina que vai além da Ciência.

Sejam bem-vindos!

Lúcio Prado Dias – médico e presidente da Sobrames Sergipe

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