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Menopausa: informação e acompanhamento médico ajudam mulheres a viver essa fase com saúde e qualidade de vida

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas ainda desperta dúvidas e preocupações, principalmente em relação aos sintomas, à sexualidade e aos impactos das mudanças hormonais na saúde. Ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor e redução da libido estão entre as manifestações mais conhecidas. Entretanto, os efeitos dessa transição vão além do desconforto físico e podem influenciar a saúde emocional, óssea e cardiovascular.

Para esclarecer as principais questões relacionadas ao tema, a médica ginecologista Dra. Elaine Ângelo explica como identificar os primeiros sinais da menopausa, quais cuidados ajudam a preservar a qualidade de vida e em quais situações a terapia hormonal pode ser indicada. A especialista também reforça que cada mulher vivencia essa fase de maneira diferente e que o acompanhamento médico é fundamental para definir as melhores estratégias de cuidado.

Saúde em Dia: O que é a menopausa e em que fase da vida ela costuma acontecer?

Dra. Elaine Ângelo: A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo encerramento definitivo dos ciclos menstruais em decorrência da redução da função ovariana. O diagnóstico é feito retrospectivamente, após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa para essa ausência.

No Brasil, assim como na maioria dos países, ela costuma acontecer entre os 45 e 55 anos, com média próxima dos 50 a 51 anos. Antes dela, existe o climatério, período de transição em que começam as oscilações hormonais e podem surgir diversos sintomas.

É importante compreender que a menopausa não representa o fim da vitalidade feminina. É uma nova etapa que exige atenção à saúde, prevenção e escolhas conscientes para preservar a qualidade de vida.

Quais são os primeiros sinais de que a mulher está entrando na menopausa?

Um dos primeiros sinais costuma ser a alteração do ciclo menstrual. A menstruação pode ficar irregular, com intervalos maiores ou menores, mudanças no fluxo e períodos de ausência menstrual.

Também podem surgir ondas de calor, suor noturno, dificuldade para dormir, irritabilidade, ansiedade, alterações de humor, cansaço e redução da libido.

Esses sintomas variam muito de uma mulher para outra. Algumas percebem mudanças importantes, enquanto outras passam pela transição com manifestações discretas. Por isso, é fundamental observar o próprio corpo e procurar avaliação ginecológica quando houver mudanças persistentes.

Toda mulher apresenta sintomas nessa fase? Por que algumas sentem mais efeitos do que outras?

Não. Nem todas as mulheres apresentam sintomas, e aquelas que apresentam podem vivenciá-los com intensidades muito diferentes.

Essa variação está relacionada a fatores genéticos, sensibilidade individual às oscilações hormonais, condições de saúde, qualidade do sono, alimentação, nível de atividade física, estresse e contexto emocional e social.

Além disso, o estilo de vida e a presença de outras condições clínicas podem influenciar a forma como essa fase é vivenciada.

Por isso, não existe uma experiência única de menopausa. O cuidado deve ser individualizado, considerando a história clínica, os sintomas, as necessidades e os objetivos de cada mulher.

Além das ondas de calor, quais são os sintomas menos conhecidos da menopausa?

As ondas de calor são bastante conhecidas, mas a menopausa pode provocar manifestações que muitas mulheres não associam imediatamente às mudanças hormonais.

Entre elas estão dificuldade de concentração, sensação de memória prejudicada, alterações do humor, ansiedade, dores articulares, palpitações, fadiga, alterações do sono e diminuição do desejo sexual.

Também podem ocorrer ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual, urgência urinária e infecções urinárias recorrentes. Esse conjunto de alterações geniturinárias está relacionado à redução do estrogênio e pode persistir ou se intensificar ao longo do tempo quando não tratado.

É importante destacar que nem todo sintoma nessa fase é causado pela menopausa. A avaliação médica permite investigar outras possíveis causas e definir o tratamento mais adequado.

Como a queda dos hormônios pode afetar a libido, a lubrificação vaginal e a vida sexual?

A redução dos níveis de estrogênio pode provocar ressecamento vaginal, diminuição da elasticidade dos tecidos, ardência e dor durante a relação sexual. Quando a relação passa a ser desconfortável, é natural que algumas mulheres comecem a evitá-la, o que pode afetar o desejo e a intimidade do casal.

A libido também pode sofrer influência de alterações do sono, cansaço, ansiedade, imagem corporal, relacionamento afetivo, medicamentos e mudanças hormonais, incluindo as relacionadas aos androgênios.

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes. Hidratantes vaginais, lubrificantes, estrogênio vaginal quando indicado e outras estratégias individualizadas podem melhorar o conforto íntimo. Em situações selecionadas, outras opções terapêuticas podem ser consideradas.

A sexualidade não tem prazo de validade. A mulher merece viver essa dimensão da vida com prazer, segurança e liberdade, sem acreditar que dor ou desconforto são consequências inevitáveis do envelhecimento.

Quais são os impactos da menopausa na saúde dos ossos e do coração?

O estrogênio exerce funções importantes na manutenção da massa óssea e na saúde cardiovascular. Com sua redução, ocorre uma aceleração da perda de massa óssea, especialmente nos primeiros anos após a menopausa, aumentando o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas.

Em relação ao coração, a menopausa coincide com mudanças metabólicas que podem favorecer o aumento do colesterol LDL, alterações na distribuição da gordura corporal e maior risco cardiometabólico ao longo dos anos. Entretanto, o risco cardiovascular também depende de fatores como pressão arterial, diabetes, tabagismo, alimentação, sedentarismo e histórico familiar.

A prevenção deve começar cedo, com atividade física regular, exercícios de força, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento de fatores de risco. A avaliação da necessidade de densitometria óssea e de exames cardiovasculares deve ser individualizada.

A terapia hormonal pode ter benefícios ósseos em mulheres selecionadas, mas não deve ser prescrita exclusivamente para prevenir doenças cardiovasculares.

O que é a menopausa precoce e quais fatores podem fazer com que ela aconteça antes dos 40 anos?

Quando a menopausa acontece antes dos 40 anos, é importante investigar a possibilidade de insuficiência ovariana prematura, condição em que a função dos ovários diminui antes do esperado. Ela pode provocar irregularidade menstrual, ausência de menstruação, sintomas de deficiência hormonal e dificuldades reprodutivas.

Entre as possíveis causas estão alterações genéticas, doenças autoimunes, tratamentos como quimioterapia e radioterapia e cirurgias que comprometem a função ovariana. Em muitos casos, porém, a causa não é identificada.

O diagnóstico exige avaliação clínica e exames específicos, pois outras condições podem causar alterações menstruais semelhantes.

Essa situação merece atenção especial porque a deficiência hormonal prolongada pode aumentar os riscos para a saúde óssea e cardiovascular, além de afetar a saúde sexual e emocional. Na ausência de contraindicações, a reposição hormonal costuma ser recomendada até a idade habitual da menopausa, com acompanhamento especializado.

A terapia hormonal é indicada para todas as mulheres? Quais são seus benefícios, riscos e contraindicações?

Não. A terapia hormonal da menopausa não é indicada indiscriminadamente para todas as mulheres. Sua indicação depende dos sintomas, da idade, do tempo transcorrido desde a menopausa, do histórico pessoal e familiar, dos fatores de risco e das preferências da paciente.

Quando bem indicada, pode ser o tratamento mais eficaz para ondas de calor e suor noturno, além de contribuir para a melhora do sono e da qualidade de vida quando esses problemas estão associados aos sintomas vasomotores. Também ajuda a prevenir a perda óssea durante o uso e pode melhorar os sintomas geniturinários, embora, em algumas situações, o tratamento local seja suficiente e preferível.

Os riscos variam conforme a formulação, a dose, a via de administração, a duração do tratamento e as características individuais. Podem incluir aumento do risco de tromboembolismo, acidente vascular cerebral e, em determinadas situações, câncer de mama. Mulheres com útero geralmente precisam de proteção endometrial com progestagênio quando utilizam estrogênio sistêmico.

Entre as situações que exigem especial cautela ou podem contraindicar a terapia sistêmica estão histórico de determinados cânceres hormônio-dependentes, sangramento vaginal sem diagnóstico, tromboembolismo, acidente vascular cerebral e doença hepática ativa, entre outras.

Em mulheres saudáveis, sintomáticas e com menos de 60 anos ou menos de dez anos desde a menopausa, a relação entre benefícios e riscos costuma ser mais favorável, desde que não existam contraindicações. Isso não significa que o tratamento seja automaticamente seguro ou necessário para todas.

A decisão deve ser compartilhada entre médica e paciente, após uma avaliação cuidadosa. Não existe uma prescrição universal: existe um tratamento individualizado, baseado em evidências e nas necessidades de cada mulher.

Alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos saudáveis podem amenizar os sintomas da menopausa? Quais são os mais importantes?

Sim. Os hábitos saudáveis são fundamentais para atravessar essa fase com mais saúde e qualidade de vida, embora não substituam necessariamente o tratamento específico dos sintomas.

Destaco cinco cuidados essenciais:

Alimentação equilibrada: priorizar vegetais, frutas, leguminosas, proteínas de qualidade, fibras e fontes adequadas de cálcio, além de garantir vitamina D conforme as necessidades individuais.

Atividade física: combinar exercícios aeróbicos com treinamento de força para preservar a massa muscular, a saúde óssea e cardiovascular.

Sono de qualidade: estabelecer uma rotina regular e investigar insônia, roncos ou outros sinais de distúrbios do sono.

Saúde emocional: cuidar do estresse, manter vínculos sociais e procurar apoio psicológico quando necessário.

Prevenção e acompanhamento médico: controlar pressão arterial, glicemia, colesterol e peso, evitar o tabagismo e moderar o consumo de álcool.

Esses cuidados contribuem para a saúde integral, a prevenção de doenças e o bem-estar.

É importante lembrar, porém, que alimentação e exercício, isoladamente, não tratam todos os sintomas da menopausa. Quando há sofrimento significativo, é necessário avaliar opções terapêuticas específicas.

Quando a mulher deve procurar um ginecologista? Há sintomas que exigem atenção imediata?

A mulher deve procurar o ginecologista quando perceber alterações menstruais persistentes, ondas de calor intensas, dificuldade para dormir, mudanças importantes no humor, redução da libido, dor durante as relações sexuais ou sintomas urinários. O acompanhamento também é importante para avaliar a saúde óssea, cardiovascular e sexual, além de manter os exames preventivos indicados para sua idade e histórico.

Algumas situações merecem atenção especial. Qualquer sangramento vaginal após 12 meses sem menstruar deve ser investigado prontamente, mesmo quando ocorre em pequena quantidade.

Já sintomas como dor no peito, falta de ar súbita, desmaio, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade repentina para falar exigem atendimento de emergência, pois podem indicar condições graves que não devem ser atribuídas à menopausa.

O mais importante é não normalizar o sofrimento. A mulher não precisa esperar os sintomas se tornarem insuportáveis para buscar ajuda.

Para finalizar, qual é a principal orientação que a senhora daria às mulheres que estão entrando nessa fase ou já enfrentam os sintomas da menopausa?

Minha principal orientação é: não aceite a ideia de que sofrer faz parte da menopausa. Essa fase merece acolhimento, informação de qualidade e acompanhamento médico.

A menopausa não diminui o valor da mulher, sua feminilidade, sua capacidade de amar, sua sexualidade ou seus projetos de vida. Ela representa uma transição que pode ser vivida com saúde, autonomia e plenitude quando existe cuidado adequado.

Como ginecologista, acredito que precisamos olhar para a mulher de forma integral, considerando não apenas os hormônios, mas também a saúde física, emocional, sexual e a qualidade de vida. Cada mulher tem uma história, necessidades e objetivos próprios. Por isso, meu convite é que ela conheça seu corpo, procure orientação especializada e participe ativamente das decisões sobre sua saúde.

Envelhecer não significa deixar de florescer. A menopausa pode ser o início de uma nova etapa de autoconhecimento, liberdade e cuidado consigo mesma.

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