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Nutricionista faz alerta sobre o consumo frequente de enlatados

Linguiças e salsichas sobre tábua
Alimentos enlatados e ultraprocessados são uma das maiores fontes ocultas de sódio, mesmo quando não têm sabor “salgado”. Foto: Freepik

A Revista Saúde em Dia entrevistou a nutricionista Carla Souza para esclarecer os riscos do consumo de alimentos ultraprocessados e chegou a uma constatação preocupante: a ingestão frequente desses produtos está associada ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Na entrevista, a especialista também orienta sobre formas mais seguras de consumo e alternativas saudáveis para substituir os enlatados. Confira!

1) O que são alimentos enlatados e processados? Quais características os diferenciam de alimentos frescos ou minimamente processados?

Alimentos enlatados são aqueles submetidos a processamento térmico (esterilização) e acondicionados em latas herméticas para aumentar a vida útil. Alimentos processados passam por alterações industriais com adição de sal, açúcar, óleos ou outros ingredientes, como conservantes, edulcorantes e aditivos químicos.

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a classificação é:

  • In natura ou minimamente processados: alimentos obtidos diretamente da natureza ou que sofreram alterações mínimas (ex.: lavagem, corte, pasteurização).
  • Processados: alimentos in natura com adição de sal, açúcar ou óleo (ex.: legumes em conserva, frutas em calda).
  • Ultraprocessados: formulações industriais com vários ingredientes e aditivos (ex.: salsicha, presunto, mortadela).

Diferenças principais dos ultraprocessados:

  • Maior teor de sódio, gorduras ruins e aditivos
  • Menor densidade de fibras e micronutrientes
  • Maior impacto metabólico e inflamatório

2) Quais ingredientes em enlatados podem representar risco à saúde?

Os principais componentes associados a riscos são:

  • Sódio em excesso
  • Nitrito e nitrato de sódio
  • Gorduras saturadas e trans
  • Açúcares adicionados
  • Aditivos químicos (corantes, conservantes, realçadores de sabor)
  • Bisfenol A (BPA), presente no revestimento interno de algumas latas

Esses ingredientes, quando consumidos com frequência, estão associados a doenças crônicas não transmissíveis.

Nutricionista Carla Souza sentada à mesa com notebook
Carla Souza, nutricionista. Foto: Divulgação

3) Existe evidência científica de que o consumo frequente de enlatados pode aumentar o risco de câncer?

Sim, especialmente no caso de carnes processadas. A IARC/OMS classifica:

  • Carnes processadas (presunto, salsicha, bacon) como Grupo 1 – carcinogênicas para humanos
  • Evidência forte para câncer colorretal

O risco está associado principalmente a:

  • Formação de nitrosaminas
  • Presença de ferro heme
  • Compostos gerados durante processamento e cocção (cozimento ou preparo em temperaturas altas)

Atenção: não são todos os enlatados, mas os ultraprocessados de origem cárnea são os mais críticos.

4) Alguns estudos comparam o risco de comer alimentos altamente processados ao hábito de fumar. O que isso realmente significa para a saúde do dia a dia?

Essa comparação não significa que comer ultraprocessados seja tão nocivo quanto fumar, mas destaca que ambos são fatores de risco evitáveis. O consumo frequente aumenta risco de:

  • Obesidade
  • Diabetes tipo 2
  • Hipertensão
  • Doenças cardiovasculares
  • Alguns tipos de câncer

Ou seja, o impacto é cumulativo, especialmente quando associado a sedentarismo e outros hábitos não saudáveis.

5) Qual é o papel dos nitritos e nitratos usados em presuntos e embutidos?

Eles são usados para:

  • Conservação
  • Cor rosada característica
  • Inibição de bactérias (ex.: Clostridium botulinum)

No organismo, podem formar nitrosaminas, compostos potencialmente carcinogênicos, especialmente quando:

  • Consumidos em excesso
  • Associados a altas temperaturas
  • Com baixa ingestão de antioxidantes (vitamina C, por exemplo)

6) Com que frequência seria considerado seguro consumir alimentos enlatados?

As diretrizes não definem “seguro” em termos absolutos, mas orientam:

  • Consumo ocasional
  • Preferência por versões com baixo teor de sódio, sem adição de açúcares e sem conservantes artificiais

Carnes processadas: quanto menos, melhor. Alimentos in natura devem ser a base da alimentação.

7) Quais são os sinais de consumo excessivo de sódio na dieta? E como isso está ligado aos alimentos enlatados?

Sinais comuns:

  • Retenção de líquidos
  • Inchaço
  • Aumento da pressão arterial
  • Sede excessiva
  • Cefaleia

Alimentos enlatados e ultraprocessados são uma das maiores fontes ocultas de sódio, mesmo quando não têm sabor “salgado”.

8) Quais alternativas mais saudáveis existem aos produtos enlatados como presunto, salsicha e embutidos?

Boas substituições incluem:

  • Carnes frescas assadas, cozidas ou desfiadas
  • Ovos
  • Frango ou peixe preparados previamente
  • Leguminosas (grão-de-bico, lentilha, feijão)
  • Patês caseiros
  • Queijos menos processados (com moderação, pois possuem muita gordura)

9) Como equilibrar praticidade e saúde quando precisamos usar produtos industrializados?

Estratégias práticas:

  • Ler rótulos (menos ingredientes = melhor)
  • Priorizar alimentos minimamente processados
  • Planejamento semanal e preparo antecipado
  • Congelar refeições caseiras, costumo falar que: “QUEM CONGELA NÃO FALHA”!
  • Usar conservas simples (ex.: legumes) como complemento, não base da dieta
  • Só ter em casa o que é saudável e o que deve consumir no dia a dia

10) Quais sugestões para pais que querem reduzir o consumo de alimentos processados em crianças e adolescentes?

  • Dar o exemplo em casa
  • Oferecer alimentos naturais desde cedo
  • Envolver a criança no preparo das refeições
  • Evitar usar ultraprocessados como recompensa
  • Educar sobre rótulos e escolhas alimentares
  • Manter opções saudáveis acessíveis

Lembre-se: a infância é uma fase crítica para formação do paladar e hábitos alimentares duradouros.

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