Segundo pesquisa da Agência Brasil, o estudo sobre hábitos culturais dos brasileiros constatou que a festa popular mais frequentada é a junina, e não o carnaval. Isso pode ser explicado pelo fato de as festas juninas serem mais descentralizadas que o carnaval, sendo realizadas inclusive em escolas, associações das mais diversas e reúnem também um público mais amplo e diverso. Além disso, as festas juninas acabam se estendendo por um período maior do ano, favorecendo a alta adesão.
Sergipe foi o primeiro estado do Brasil a regionalizar as campanhas de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), nas festas populares. Num Congresso de IST no Rio de Janeiro, levamos uma Barraca da Prevenção, com o nome “Arraial da Prevenção”, com os insumos juninos e material educativo. Essa apresentação no RJ foi um sucesso. A partir daí, várias capitais e municípios também começaram a realizar campanhas de prevenção nas festas juninas. A campanha junina mais bem humorada e que recebi o Prêmio Piuga de Comunicação teve a mensagem “Não Importa se você tem um amendoim ou uma espiga, se não usar camisinha, você é um pamonha – O HIV não é coisa típica das festas juninas”.
O Governo de Sergipe vem realizando anualmente na nossa bela orla, a Vila do Forró e Arraial do Povo. O Programa Estadual de IST/HIV AIDS não podia ficar fora dessa festa, frequentada por uma grande diversidade de público de todas as idades. Na Vila do Forró, contando com o apoio da Secom e divulgação da Ascom/SES, tem um estande denominado “Arraiá da Prevenção” que apresenta painéis educativos sobre as IST, uma equipe de profissionais de saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e estudantes de Medicina da Universidade Tiradentes (UNIT – Campus Aracaju).
Diariamente, exceto nas segundas-feiras, as equipes disponibilizam preservativos e gel lubrificante para o público em geral. No estande tem quadros com frases românticas associando com o preservativo, para atrair as pessoas a tirarem fotografias de lembrança das Festas Juninas.
Uma importante abordagem da equipe da SES e dos estudantes de medicina é uma conversinha rápida com as gestantes presentes no forró sobre o pré-natal dela e do parceiro. As equipes estão encontrando algumas falhas com relação aos exames que devem ser solicitados. Algumas gestantes dizem que não sabem se fizeram os testes de HIV, Sífilis e Hepatites Virais B e C e a maioria dos parceiros sexuais revela que não fez os testes rápidos.
Outra ação inovadora e já replicada em várias capitais, é, nas quintas-feiras, a Unidade Móvel disponibilizando os Testes Rápidos para diagnóstico das quatro principais IST: HIV, Sífilis, Hepatites B e C. Os resultados são liberados em torno de 20 minutos. Os casos reagentes para algum agravo são encaminhados para as UBS – Unidades Básicas de Saúde e/ou para o CEMAR Siqueira Campos, à Rua Bahia, a depender do agravo.
Na última quinta-feira, a unidade móvel atendeu a 45 pessoas, sendo detectados 6 casos reagentes de sífilis e um caso de Hepatite B, mostrando a importância da oferta dos testes rápidos mesmo num momento festivo.
Cuidados com as IST nas festas juninas
Os momentos das festas populares aumentam a chance de novos relacionamentos. Entra em ação também o efeito das bebidas alcoólicas que promovem mudança de comportamento sexual.
É interessante revelar que recebo telefonemas no dia seguinte às festas populares, tanto no carnaval como nas festas juninas e até após grandes festas particulares, de jovens, solicitando orientações sobre o que fazer quando esquece de usar o preservativo ou, por estar embriagado, usou errado e houve falha na colocação do principal insumo de prevenção. Neste caso existe a PEP – Profilaxia Pós-Exposição ao HIV, em vários serviços de saúde na capital e interior do estado. Na capital, quando o usuário precisa de PEP em feriados ou na madrugada, deve procurar o Hospital Zona Sul Des. Fernando Franco (Unidade de Urgência do Bairro Augusto Franco) ou o Hospital Municipal Zona Norte Doutor Nestor Piva, na Avenida Maranhão. A PEP é indicada em situações de urgência (exposição de risco pontual). O usuário deve procurar a PEP até 72 horas da situação de exposição ao risco, preferencialmente ser atendido nas primeiras 2 horas. Trata-se de uma situação de urgência através do uso de medicamentos antirretrovirais por 28 dias. Se passar de 72 horas, a PEP não é mais indicada. Deverá ser acompanhado numa UBS, através da realização de testes rápidos e usar camisinha.
Quando a pessoa se expõe ao risco com frequência, por não usar o preservativo com vários parceiros ou quando os casais são sorodiferentes, deve procurar uma UBS nos dias e horários normais, onde será avaliada pelo profissional de saúde e, se tiver indicação, após o teste de HIV não reagente, receberá o medicamento antirretroviral para ser usado ou diariamente ou de acordo com a demanda sexual. É importante adesão ao uso de medicamentos e realização dos testes rápidos sempre que for receber os medicamentos.
Por que disponibilizar preservativo numa festa popular?
Em primeiro lugar porque o preservativo é o mais seguro insumo de prevenção, desde que seja usado corretamente. Como já informei que as festas favorecem a novos relacionamentos, pode surgir a chance de um novo amor podendo chegar a uma relação sexual.
Eu criei a frase para as festas Juninas em Sergipe: “Se o amor esquentar, use a camisinha”. Para alguém usar camisinha, precisa estar com ela no bolso ou na bolsa, tendo cuidado com a validade e o armazenamento. Por isso disponibilizamos preservativos nas festas. Algumas pessoas mais conservadoras falam, equivocadamente, que oferecer preservativo é incentivar a sexualidade. Infelizmente, é enorme o número de pessoas que não usam preservativo por vários motivos, como exemplo, confiança na fidelidade do(a) parceiro(a), “O amor cega e faz abandonar o preservativo”, “Só faço sexo com quem eu conheço”… Usar preservativo é uma questão de escolha. Lamentavelmente não temos acesso às “festas particulares de risco” onde os jovens alugam casas e levam várias garotas e garotos. Lá às vezes usam bebidas alcoólicas, cigarros eletrônicos e energéticos, que são combinações perigosas, e que favorecem ao não uso do preservativo.
Da minha parte como médico sanitarista, coloco-me sempre à disposição das pessoas que me procuram ajuda nessas situações de risco. O médico é para ajudar!
Dr. Almir Santana – médico sanitarista

